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| Foto Fabiane de Paula. |
O Ceará possui 47 municípios atendidos exclusivamente por águas subterrâneas, segundo a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), atingindo uma população de quase 1,7 milhão de pessoas – praticamente uma em cada cinco que vivem no Estado. Ao contrário dos açudes gigantes, esses recursos correm longe dos olhos dos gestores e das comunidades.
As águas subterrâneas correspondem a cerca de 97% da água doce disponível na Terra. No Ceará, elas são utilizadas permanentemente em algumas regiões ou apenas quando há escassez hídrica superficial.
A Cogerh aponta que, em cenários de seca extrema, o número pode chegar a aproximadamente 100 municípios atendidos por sistemas baseados em poços. Hoje, a Bacia do Salgado lidera com 13 cidades e quase 770 mil beneficiados, na região Sul do Estado, seguida pelas bacias do Acaraú (269 mil) e do Litoral (152 mil).
O volume diário médio explorado é de 252 mil m³, com consumo estimado de 150 litros por habitante. Além do uso humano, esses recursos sustentam a agricultura e a carcinicultura (criação de camarão), especialmente no Vale do Jaguaribe.
“Para fazer gestão, eu tenho que conhecer, eu tenho que monitorar. Temos realmente que ter um olhar diferenciado”, afirma Zulene Almada, doutora em Hidrogeologia e gerente de Estudos e Projetos da Cogerh.
Para garantir a segurança hídrica dos beneficiários, a Cogerh monitora hoje 556 poços em diversos aquíferos. Além disso, o mapeamento estadual já inclui mais de 16 mil outorgas (autorizações de uso) de poços e fontes.
Almada ressalta que é preciso entender o comportamento das águas subterrâneas para evitar o esgotamento das reservas, principalmente devido à sazonalidade das chuvas no Estado e a longos períodos de seca, como o ocorrido entre 2012 e 2017.
Com informações do Diário do Nordeste.
