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| Foto Aurélio Alves |
Os dois meses do desaparecimento na Inglaterra de Vitória Figueiredo Barreto, de 30 anos, completados nesse domingo, 3, são um tempo doloroso e infindável para a família da psicóloga cearense.
Em Fortaleza, todo dia a esperança e decepções vão movendo a expectativa de Aurélio, Gleyz e Mariana — pai, mãe e irmã de Vitória — sobre alguma pista mais sólida de seu paradeiro. Apesar da distância e de respostas menos favoráveis, eles ainda creem que ela possa ser encontrada com vida.
"Acredito, sim, que é possível a Vitória aparecer. Estou bem dolorida, mas não sem esperança, porque eles lá, polícia, também têm esperança e acreditam sim que a Vitória está viva", afirmou a mãe, em mensagens por áudio, ainda indisposta a entrevistas mais longas. Não é fácil para a terapeuta Gleyz Figueiredo Barreto falar de sua filha ausente.
Não menos tristes, Aurélio Barreto, que trabalha com reformas e serviços de turismo e hospedagem, e a estudante Marina Figueiredo Barreto estão mais serenos na dor e se dispõem a falar mais sobre a situação. Também imaginam que ela ainda esteja viva, perdida em solo inglês.
A família sugere que Vitória esteja abalada emocionalmente, num suposto colapso mental por sua carga de trabalho; por isso, talvez desorientada, recolhida ou escondida no espaço de algum imóvel local não averiguado. Assim, segue cobrando respostas da polícia inglesa.
Na última vez que Vitória se comunicou com os parentes no Ceará, ela estava no Condado de Essex, numa zona costeira chamada Brightlingsea. Fica no sudeste britânico, distante cerca de uma hora e meia de carro para Londres. Foi onde ela esteve por dois dias, instalada na casa de uma professora amiga cearense, até a perda de contato.
Havia chegado cerca de um mês antes naquele país. Tentaria novas qualificações dentro da sua carreira como psicóloga. De lá saiu e só foi reconhecida depois em imagens de câmeras de segurança ou por moradores da região, já com a repercussão aqui e lá sobre o desaparecimento.
Na manhã da última quinta-feira, 30, no fuso de Fortaleza, os pais e a irmã participaram, por mais de quatro horas, de uma reunião online com autoridades britânicas. Gleyz, Aurélio e Marina mencionaram que o desfecho foi mais exaustivo do que de alguma novidade.
A proposta da videoconferência, que partiu dos próprios ingleses, foi para atualizarem informações do andamento do caso e ajustarem meios para fortalecer a procura de novos rastros de Vitória.
Cerca de dez pessoas estiveram no encontro, entre chefes e agentes da polícia local, gestores do condado, membros da promotoria e também representantes da comunidade de Essex. Liliane Além-Mar, a professora amiga de Vitória, também participou da reunião. "(Liliane contou) que ela estava um pouco mais calada, quieta, porque a Vitória sempre foi muito falante, alegre", acrescenta Marina.
"O que a polícia diz é o seguinte: 'nós estamos procurando uma pessoa desaparecida, não estamos procurando um corpo, porque o corpo já teria sido encontrado'. Nesse período, encontraram o corpo de duas meninas por lá. Colheram meu DNA aqui e fizeram o exame lá", conta Aurélio.
Descartaram ser da cearense. Segundo ele, a busca principal é em terra firme. No mar, descreve que, se fosse o caso de um afogamento, a vítima também já teria sido encontrada, por ser uma região de baía com águas correntes e consideradas rasas.
Com informações do O Povo.