sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Inteligência artificial pode prever risco de AVC, doença que mata quase 100 pessoas por mês no Ceará

Foto Tunatura/Shutterstock.
Dor de cabeça intensa, alteração na visão e dificuldade para andar. Esses foram os primeiros sintomas de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) vividos pela professora cearense Vanderly da Silva Feitosa, de 53 anos, recentemente. 

A doença é uma das principais causas de mortes, incapacitações e internações no mundo, segundo o Ministério da Saúde (MS), e é caracterizada pelo rompimento ou entupimento de vasos que levam sangue ao cérebro, o que provoca a paralisia da área afetada pela falta de circulação.

Apesar do susto, a docente sobreviveu sem sequelas. No entanto, a gravidade do quadro exigiu que ela permanecesse quatro dias internada em um leito da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital em Fortaleza. O caso aconteceu cerca de um ano após Vanderly perder uma irmã para a mesma condição.

Embora ambas tenham sofrido acidentes vasculares, foram de tipos diferentes. A professora foi acometida por um AVC isquêmico, que é mais comum e caracterizado pela obstrução de uma artéria. Já a familiar dela teve um AVC hemorrágico, causado pelo rompimento de um vaso cerebral e, ainda que represente apenas 15% dos casos, é mais letal.

O falecimento da irmã de Vanderly foi um dos 1.447 registrados no Ceará em 2025, conforme dados da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa). A tendência parece se repetir nos números da Pasta deste ano: de janeiro a 7 de setembro, 816 pessoas morreram devido à doença, o que equivale a quase 100 óbitos ao mês no período.

Quando se trata de AVC, o MS aponta que há um fator determinante: o tempo. Quanto mais rápido for realizado o diagnóstico e o tratamento, maiores são as chances de recuperação completa do paciente.

IA pode acelerar identificação da doença

Para combater este desafio, o neurologista João Brainer, vice-presidente da Comissão de Inovação e Tecnologia da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), destaca o papel da inteligência artificial (IA) na aceleração do tempo de reação ao diagnóstico.

A frase ‘tempo é cérebro' significa que cada minuto que o cérebro passa sem receber o tratamento adequado representa a morte de neurônios, que chegam na monta de 100 mil a cada minuto. Portanto, ter tecnologias que facilitam a interpretação de exames é fundamental para economizar neurônios e diminuir a chance de perda neuronal. Menos neurônios perdidos, melhor recuperação funcional desse paciente."

À coluna, o especialista explica que a inovação tecnológica está concentrada principalmente na interpretação de exames de imagem, como tomografias, ressonâncias e perfusão, comumente usados para diagnosticar a doença.

“Ela não só identifica elementos que o olho humano não seria capaz, como também faz interpretações de uma forma muito mais ágil, facilitando a redução do tempo de atendimento ao AVC, que é cardinal", detalha o médico.

Como a ferramenta é alimentada com informações de outros pacientes, ela pode usar esse conhecimento para avaliar qual pode ser o melhor prognóstico para cada indivíduo, a partir de casos semelhantes.

Na prática, Brainer explica que a tecnologia pode analisar, por exemplo, se vale a pena fazer um determinado procedimento ou submeter o indivíduo a uma outra modalidade de tratamento.

"Além disso, a inteligência artificial aparece fazendo predições de complicações, como, por exemplo, a chance do paciente ter uma pneumonia pós-AVC, evoluir com dor, espasticidade – que é uma contratura forçada do músculo do lado que foi envolvido pelo AVC –, assim como até avaliar a voz dele e rastrear se tem disfagia, que é a dificuldade de engolir, uma complicação comum pós-AVC”, ilustra.

Com informações do Diário do Nordeste.