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| Foto Reprodução |
A contribuição de artistas negros para a produção artística no Brasil do século XVIII é tema de pesquisa do artista visual e professor Beethoven da Silva, que lança, na próxima quinta-feira, 22, às 18h30, o livro A Presença do Negro nas Artes e Ofícios no Brasil do Século XVIII, na Biblioteca Pública Municipal Dr. Matos Peixoto, em Iguatu. A programação inclui ainda a exposição Fios de uma Memória em Disputa, também de autoria do pesquisador.
A obra investiga as condições sociais, culturais e educacionais que permitiram a participação de pessoas negras nos ofícios artísticos durante o período colonial. Para Beethoven, compreender essa presença exige ir além do reconhecimento genérico da contribuição negra para a arte brasileira.
“Mais do que reconhecer, de forma genérica, que os negros contribuíram para a construção da arte colonial brasileira, é necessário identificar e reconhecer os artistas responsáveis por essa produção, conferindo-lhes o devido lugar na história da arte”, afirma.
Segundo o pesquisador, a dificuldade de identificar esses artistas está relacionada tanto às características da produção artística da época quanto às desigualdades sociais. A ausência de assinaturas em obras coloniais, o trabalho coletivo e os desafios de conservação de objetos históricos dificultam a atribuição de autoria. Além disso, muitos artistas negros viviam sob condições de escravização e enfrentavam barreiras para ter seu trabalho reconhecido.
Beethoven também aponta uma hierarquia histórica na classificação das produções artísticas. “Há, também, questões de caráter social, como a dificuldade de reconhecimento dos artistas negros, muitos dos quais viviam em condições de escravização, sua invisibilização na história da arte brasileira e a visão hierarquizante que classifica a arte colonial como artesanal, colocando-a em uma posição inferior àquela atribuída à Arte”, explica.
A recuperação dessas trajetórias também esbarra na escassez de registros específicos. Durante a pesquisa, o autor recorreu a livros, artigos, sites e catálogos especializados. Entre as principais referências está A mão afro-brasileira, organizado por Emanuel Araújo, que contribuiu para a construção do levantamento histórico
Com informações do Jornal A Praça.
