sábado, 24 de outubro de 2026

Grupo ‘Zenir Móveis’ recusa propostas de compra e planeja chegar a 100 lojas no Ceará

Foto Fabiane de Paula/ SVM
Fundada em Iguatu, a Zenir construiu sua trajetória no varejo sem abrir mão do controle familiar. A rede já recebeu propostas de aquisição de três grandes grupos nacionais do setor, mas decidiu permanecer independente. A história foi compartilhada pelos irmãos gêmeos Alex e Alan Oliveira, diretores da empresa, durante um painel da Associação dos Jovens Empresários (AJE), realizado nesta quinta-feira, 22, em Fortaleza.

Segundo Alex Oliveira, as sondagens ocorreram na década passada e envolveram Ricardo Eletro, Magazine Luiza e Casas Bahia, que figuravam entre os principais nomes do varejo brasileiro naquele período. A decisão de não vender partiu do fundador da empresa, José Alves de Oliveira, conhecido como seu Zenir.

Na avaliação da família, a solidez financeira e a rentabilidade do negócio não justificavam a transferência do controle. Alex também afirmou que a companhia não tem planos de abrir capital na bolsa de valores. A estratégia, segundo ele, continua concentrada no crescimento dentro do Ceará e na preservação da estrutura familiar.

Rede de 61 lojas

A história da Zenir começou em 1992, em Iguatu, quando seu Zenir iniciou a venda de colchões adquiridos por meio de consignação de um fornecedor. A primeira expansão para outro município ocorreu em 1995, com a abertura de uma unidade em Campos Sales. Nos anos seguintes, a empresa chegou a Crato, Sobral e Juazeiro do Norte, até alcançar Fortaleza, em 2003.

Outro passo importante ocorreu entre 2010 e 2014, quando a rede adquiriu uma operação com 12 lojas. A empresa permaneceu com as dez unidades localizadas no Ceará e repassou as duas da Paraíba a outro varejista, ampliando sua presença no mercado cearense.

Atualmente, a Zenir conta com 61 lojas, todas no estado. Aproximadamente 70% dos imóveis utilizados pela rede são próprios, característica que integra a estrutura patrimonial da companhia.

Plano de expansão

A próxima meta é alcançar 100 lojas físicas no Ceará até 2032. De acordo com Alan Oliveira, a empresa já identificou cerca de 40 municípios com população a partir de 30 mil habitantes que podem receber novas unidades. Em boa parte dessas localidades, a rede já adquiriu terrenos ou imóveis para viabilizar a expansão.

A projeção acompanha o crescimento da operação comercial e industrial. Somados o varejo e a fábrica de colchões, o faturamento da empresa deve ultrapassar R$ 1 bilhão em 2026. Para o último trimestre do ano, a expectativa apresentada pelos diretores é de crescimento de dois dígitos.

Estrutura logística e tecnologia

A operação conta com aproximadamente 180 veículos e quatro centros de distribuição, instalados em Iguatu, Fortaleza, na região do Cariri e em Sobral. Somente na estrutura de Iguatu, cerca de 400 pessoas trabalham nas atividades logísticas. Ao todo, a rede reúne mais de 2,5 mil funcionários, dos quais aproximadamente um quarto está na empresa há mais de cinco anos.

O crediário próprio continua sendo uma ferramenta importante para as vendas, especialmente no interior. Desde dezembro, a análise de crédito passou a utilizar inteligência artificial. Conforme Alex Oliveira, um procedimento que anteriormente levava de 10 a 15 minutos na primeira compra pode ser concluído atualmente em até dez segundos.

A empresa também investe nos canais digitais. O comércio eletrônico começou em 2022, seguido pelo lançamento do aplicativo, em 2023. As vendas on-line permanecem restritas ao Ceará, representam cerca de 3% do total e seguem os mesmos preços praticados nas lojas físicas.

Com informações do Jornal A Praça.