![]() |
| Foto SSPDS! |
A líder religiosa Desiree Dantas e Roberto Alves da Silva foram condenados na última sexta-feira (9) a penas que, somadas, ultrapassam 43 anos de prisão pelo assassinato de um homem em Iguatu, no Centro-Sul do Ceará. Após o crime, a dupla utilizou o crânio da vítima em rituais de magia que, segundo a investigação policial, tinham como objetivo descobrir os números da Mega-Sena e ganhar o prêmio da loteria.
O caso faz parte dos chamados “Crimes do Sítio Canto”, série de assassinatos ocorridos na zona rural de Iguatu entre 2017 e 2018, que vitimaram quatro pessoas. Conforme a denúncia do Ministério Público do Ceará (MPCE), Francisco de Assis de Lima, conhecido como Vilmar, saiu para caminhar na noite de 1º de dezembro de 2017 e foi morto a tiros. Depois do assassinato, o corpo foi escondido em uma área de mata e, posteriormente, o crânio teria sido utilizado nos rituais.
Durante o julgamento, o Tribunal do Júri reconheceu que o homicídio foi cometido por motivo torpe e com recurso que dificultou a defesa da vítima. Desiree e Roberto também foram condenados pelos crimes de ocultação de cadáver, vilipêndio de cadáver e corrupção de menores. Desiree recebeu pena de 17 anos e 11 meses de reclusão. Roberto foi condenado a 25 anos, 11 meses e 15 dias de prisão.
Ritual para descobrir números da Mega-Sena
De acordo com a Polícia Civil, os quatro assassinatos investigados no caso tinham relação com rituais que os suspeitos acreditavam que poderiam ajudá-los a descobrir os números da Mega-Sena. O então delegado da Polícia Civil Marcos Sandro Lira afirmou à época que as vítimas eram orientadas a se concentrar e pensar nos números da loteria antes de serem mortas com um tiro na nuca.
“Lá eles colocavam um pano cobrindo a cabeça da vítima, pediam para eles se concentrarem, pensarem no número da Mega-Sena, aí chegava um por trás e dava um tiro na nuca. As quatro vítimas foram mortas dessa forma”, afirmou o delegado.
Os crimes foram descobertos durante a investigação sobre a morte do universitário Jheyderson de Oliveira Chavier, de 24 anos, ocorrida em maio de 2018. O estudante havia faltado à aula e avisado aos amigos que iria encontrar Desiree. Uma câmera de segurança registrou o momento em que o jovem caminhava pelas ruas de Iguatu acompanhado do líder religioso, que negou à polícia ter encontrado o rapaz.
Durante as buscas no sítio onde Desiree realizava práticas religiosas, os policiais encontraram o corpo de Jheyderson enterrado em uma cova rasa, com um tiro na nuca. Na continuidade das buscas, outros três corpos de pessoas desaparecidas na cidade foram localizados.
As investigações apontaram que as vítimas, que teriam tido desavenças com Desiree, eram atraídas ao sítio e mortas no local com a ajuda de Roberto. Um adolescente suspeito de participação nos homicídios tirou a própria vida dias depois de a polícia localizar os corpos.
Com informações do Site Miséria.
