quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Terreiro mais antigo em funcionamento do Ceará é tombado provisoriamente

Foto Fernanda Barros
O Centro Espírita de Umbanda Jesus Maria José iniciou uma nova fase de sua história na manhã desta quarta-feira, 2. Após uma longa batalha administrativa, o terreiro conquistou o tombamento provisório durante reunião especial do Conselho Municipal de Proteção ao Patrimônio Histórico-Cultural (Comphic). 

A cerimônia foi realizada na sede da casa, no bairro São João do Tauape, em Fortaleza, reunindo seus membros, integrantes do Comphic, pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC), além de autoridades civis e religiosas.

Durante o encontro, foi apresentado o parecer técnico favorável ao pedido de tombamento do terreiro. Após a reunião, foi realizada a notificação da ocupante legal do imóvel, Mãe Gardênia d'Iansã, dirigente espiritual da casa. O procedimento deu início oficialmente ao tombamento provisório do espaço.

Com a decisão, o Centro Espírita de Umbanda Jesus Maria José passa a ser o segundo terreiro tombado em Fortaleza. O primeiro terreiro a entrar em processo de tombamento na Capital foi o Ilè Ibá Àsé Kpósú Aziri, criado em 1975.

“Significa que, a partir desse momento, qualquer intervenção no campo da edificação vai ter que passar pela nossa autorização, pela nossa análise prévia”, explica Jéssica Vasconcelos, gerente da Célula de Gestão do Patrimônio Material da Secretaria Municipal da Cultura de Fortaleza (Secultfor).

Segundo Jéssica, a decisão não interfere na questão da propriedade do terreno, que chegou a ser alvo de uma disputa judicial. O tombamento, explica, está relacionado à preservação dos aspectos culturais do bem.

“Então, quem é o proprietário não importa para a gente; o que vai importar é salvaguardar o aspecto cultural desse patrimônio”, afirma.

Na prática, o proprietário continua podendo vender o imóvel, mas qualquer novo proprietário deverá respeitar a proteção patrimonial. Com isso, qualquer alteração física deverá ser obrigatoriamente notificada à Seculfor, sob risco de punição nas esferas administrativa, civil e penal.

Com informações do O Povo