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| Foto Ismael Soares |
Rafael Pereira de Souza renasceu em 2026. Já era adulto, tinha filhas, família e trabalho, quando a chance de recomeçar e ter um futuro chegou aos 42 anos, após 14 anos de hemodiálise - procedimento que substitui artificialmente a função dos rins em pacientes com doença renal - e oito anos na fila por um transplante. A oportunidade tão aguardada de ganhar um novo rim veio da própria filha, uma doadora viva.
Em 18 de janeiro de 2026, ele foi internado no Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), em Fortaleza, onde já era acompanhado há alguns anos. Dois dias depois, no inesquecível 20 de janeiro, pode reviver ao receber a doação da primogênita Eduarda de Souza Araújo, de 21 anos.
Desde os 15 anos, ela havia decidido doar o órgão ao pai. Mas devido a alguns obstáculos, incluindo a própria resistência de Rafael por receio de prejudicar a saúde da filha, com a maioridade atingida, aos 18, ela fortaleceu a decisão. Aos 21, garantiu o ato de solidariedade que mudou para sempre a vida dos dois.
Natural de Sucupira do Norte, pequena cidade de pouco mais de 10 mil habitantes no interior do Maranhão, Rafael, que é auxiliar administrativo, descobriu a insuficiência renal já em estágio avançado, aos 28 anos de idade. Na época, conta ele, morava em Imperatriz (MA) e trabalhava em uma loja.
“Quando descobri, já estava praticamente o rim parado, porque eu sentia alguns problemas antes, dor de cabeça, essas coisas. Doía muito a cabeça, aí eu não media a pressão, não sabia que tinha pressão alta. Aí fui procurar o médico porque minhas pernas incharam. O médico disse que os rins já estavam bem avançados para perder. Passei ainda uns 20 dias com eles (médicos) tentando reverter, e não conseguiram”, recordou, de um jeito tímido, em entrevista ao Diário do Nordeste em um ambulatório do HUWC, em junho de 2026.
Ao ter o diagnóstico, Rafael ingressou na hemodiálise e passou a conviver com essa forma de tratamento. É preciso ir dia sim, dia não, a uma unidade de saúde para que uma máquina realize a filtragem e limpeza do sangue, substituindo a função dos rins. O procedimento dura algumas horas. Assim, Rafael permaneceu em Imperatriz até 2017, quando surgiu uma nova possibilidade: tentar fazer um transplante em Fortaleza.
A aproximação entre pai e filha aconteceu após a morte da mãe de Eduarda, em 2020. “Antes da minha mãe morrer, quando ela adoeceu, ela pegou e entregou minha guarda pra ele e pra minha avó, a mãe dele. E aí eu fui morar (ainda no Maranhão) com ela (avó). Um ano depois que eu tava morando com eles, minha mãe morreu, em 2020, eu fiquei em 2021 lá, e em 2022 foi que eu vim para cá (para o Ceará)”, explica a filha. E acrescenta: “quando eu vim, ele estava sozinho. Aqui em Fortaleza não tem nenhum parente, é só ele mesmo. Agora somos só nós dois”.
Com informações do Diário do Nordeste.
