sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Fãs voltam a se interessar por CDs, mas mercado brasileiro ainda enfrenta desafios para crescer

Foto Thiago Gadelha.
Recentemente, uma pesquisa feita pela Luminate, empresa especializada em dados da indústria de entretenimento, animou entusiastas de mídia física ao revelar que a venda de CDs cresceu 16% no primeiro semestre deste ano nos Estados Unidos. Apesar de parecer pequeno, o índice torna-se relevante frente ao desinteresse pelo compacto na última década e ao protagonismo do disco de vinil, que vinha se destacando sozinho na recente retomada pelo interesse em consumo de música além dos streamings.

Um ponto interessante é que esse olhar renovado para um formato que parecia obsoleto veio não só da geração millennial, que viveu a chegada, o auge e a decadência do CD, mas também da geração Z, que inclui ex-usuários da mídia, mas também jovens que nunca chegaram a dar play em um aparelho de som – muitos motivados por conteúdos nas redes sociais, outros pela vontade de ficar mais off-line. Mas ainda que tenha chegado como tendência de comportamento, será que o impacto econômico sentido nos EUA já chegou de algum modo no Brasil?

A realidade é que alguns fatores relacionados ao mercado nacional podem desanimar quem tem interesse em comprar ou vender CDs atualmente. Um deles é que, enquanto fábricas de discos de vinil surgiram ou voltaram a operar no País, a exemplo da Polysom, da Vinil Brasil e da Rocinante, pouquíssimas se dedicam a produzir CDs.

Desse modo, a maioria dos lançamentos nacionais nem chegam às poucas prateleiras dedicadas ao formato, saindo apenas em outros países. Quando muito, chegam em tiragem limitada em vinil. Além disso, a própria indústria de eletrônicos não fornece opções acessíveis para quem busca CD players – ou seja, muitos fãs nem têm onde ouvir seus álbuns favoritos, ou precisam aderir a suportes inadequados, como aparelhos de DVD, para escutá-los.

Criado em 1982, o CD chegou no Brasil em 1986, com o álbum “Garota de Ipanema”, da cantora Nara Leão.

A esperança reside no fato de que a volta do vinil, impulsionada por colecionadores, também começou sem grande estrutura. Fábricas fechadas e vitrolas a preços caríssimos, somadas ao próprio valor mais alto dos discos, foram impeditivos por anos, mas o desejo dos audiófilos, junto a tendências estrangeiras e novidades no marketing musical, causou impacto significativo no mercado.

Hoje, por exemplo, há vitrolas mais acessíveis e uma nova era da cultura de vinil, com clubes de assinatura e artistas contemporâneos de olho na mídia, além de uma noção muito maior sobre os problemas do streaming – incluindo catálogos incompletos e que mudam a todo o tempo –, o que impulsiona a retomada do consumo de música analógico.

O preço dos CDs, que costuma ser pelo menos a metade dos vinis, também pode mover o público colecionador na direção do CD. Ainda é possível, portanto, acreditar num futuro compacto, com leitura óptica, faixa a faixa, em que o CD não voltou em definitivo, mas permanece presente.

Com informações do Diário do Nordeste.