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| Foto Fabiane de Paula. |
“A gente nunca tá preparado”. A frase, dita com a voz embargada e pausada, resume a dor que Antônio Marcelo Gomes, de 54 anos, ainda carrega desde a morte da filha Maria Teresa, aos 23 anos, no fim de julho do ano passado. Metalúrgico e morador de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza, ele relembra a interrupção precoce da vida da jovem, mas também encontra na decisão dela de ser uma doadora de órgãos, uma forma de manter parte da história da filha viva.
A história de Antônio faz parte das dezenas de experiências compartilhadas nesta sexta-feira (25), durante o 14º Encontro das Famílias Doadoras, realizado pelo Instituto Dr. José Frota (IJF) em Fortaleza. A atividade fez parte da programação do Setembro Verde, campanha de conscientização e incentivo à doação de órgãos.
Cerca de 60 famílias que autorizaram a doação de órgãos e tecidos participam do encontro, ao lado de pessoas transplantadas, profissionais de saúde e integrantes da rede de transplantes.
O momento é dedicado ao acolhimento, à homenagem e à troca de experiências entre quem viveu diferentes lados do processo. De um lado, estão famílias que precisaram tomar uma decisão em meio ao luto. Do outro, pessoas que tiveram a oportunidade de continuar vivendo após receber um órgão.
Em entrevista ao Diário do Nordeste, Antônio Marcelo lembrou que, no dia seguinte à confirmação da morte encefálica da filha, a família autorizou a doação dos órgãos. A decisão estava de acordo com um desejo que Teresa já havia manifestado em vida.
“Ela viu uma reportagem e chorou, porque ela tinha visto que é um grande número de pessoas que esperam na fila do transplante. E as pessoas que não são doadoras não sabem que é uma boa ação. Não custa nada. A gente tá indo, o corpo é uma matéria e o que importa é o espírito”, conta Antônio.
Com informações do Diário do Nordeste.
