terça-feira, 1 de setembro de 2026

Cearense reúne em casa 141 mil itens antigos sobre Fortaleza e o Brasil por amor à memória

Foto: Kid Júnior.
É injusto chamar de casa o imóvel na Rua Professor João Bosco, 560. Trata-se de um museu de um homem só: o jornalista, colecionador e pesquisador Miguel Ângelo de Azevedo. Conhecido por Nirez, é nesse recanto no bairro Rodolfo Teófilo, em Fortaleza, que ele reúne volumoso resultado do amor nutrido pela memória. Carinho longo e antigo.

São mais de 141 mil itens, dispostos entre diferentes cômodos e categorias. Cada relíquia – de discos de vinil a gramofones, passando por coleção de perfumes, caixas de fósforo, lápis, canetas, entre outros – desafia o componente individual do lugar. Tornam-se herança de uma cidade.

“A história de Fortaleza chegou na minha cabeça aos poucos, gradativamente”, inicia o memorialista, mente fresca e lúcida aos 92 anos de idade.

No alvorecer da infância dele, o pai – o fotógrafo, pintor e poeta Otacílio Ferreira de Azevedo (1892-1978) – levava-o pela mão para onde ia. Os caminhos eram valiosos: Praça do Ferreira, Praça José de Alencar, Rua Major Facundo, todo o centro histórico da Capital. “Ele tinha muitos amigos. Passava por um e conversava por 10 minutos; dava dois passos e encontrava outros, e assim ia. Eu ouvia essas conversas e via as coisas”.

Ao completar 20 anos de idade, em 15 de maio de 1954, o próprio Nirez tomou decisão a partir desse apreço pelo que observava: ele mesmo iria alavancar coleções. Discos de vinil foram o primeiro alvo; junto a eles, dada a curiosidade em saber o rosto dos artistas que tanto embalavam os dias, vieram fotografias, revistas, jornais e toda a riqueza contida neles – incluindo diversos registros de uma Fortaleza de tempos ainda mais remotos.

“Quando eu tinha número suficiente de fotos, comecei a guardá-las por logradouros, pra ficar mais fácil de encontrar. E meu pai sempre me ensinando. Muitos endereços eu já sabia, outros fui conhecendo a partir dali”, recorda.

Não sem motivo, dois anos depois, Nirez passou a colaborar como autor de textos para jornais da Capital com temas sobre História, Memória e Cidade. Na sequência, começou a formar, em casa, o que hoje intitula "Arquivo Nirez".

Com informações do Diário do Nordeste.