segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Brasil tem energia renovável e barata, mas a conta de luz é mais cara do que a de 77 países

Foto Thiago Gadelha 
A tarifa de energia elétrica no Brasil é mais cara do que a de 77 países, considerando a renda, o nível geral de preços e a qualidade da matriz. É o que aponta um levantamento do Instituto Centro de Liderança Pública (CLP).

O Brasil entrega preços finais para diversas classes de consumo em patamar superior ao de países com matriz energética semelhante, como Canadá, Noruega e China. O País está na 66.ª posição de 138 analisados.

O preço médio da tarifa brasileira é de US$ 0,357/kWh, ajustado pela paridade do poder de compra, seguindo a metodologia do levantamento. Na China, por exemplo, a tarifa é de US$ 0,155/kWh.

Entre os países em que a energia é mais cara, estão França (US$ 0,373/kWh), Chile (0,496/kWh), Colômbia (US$ 0,591/kWh) e Itália (0,637/kWh).

O levantamento destaca que o Brasil desperdiça a vantagem competitiva de deter uma das matrizes elétricas mais renováveis do mundo, com crescente participação eólica e solar.

“O problema é que essa vantagem se dissipa entre a usina e o consumidor”, comenta a nota técnica de Daniel Duque, pesquisador do CLP.

O sistema enfrenta um paradoxo, com geração competitiva e tarifa sobrecarregada, segundo o estudo. Na prática, a parcela correspondente à energia corresponde a cerca de 30,4% da conta de energia.

Já os custos de distribuição representam 26,1% e os de transmissão, 10,1%. A parcela dos encargos setoriais é de 15,2% da conta. Já os tributos somam 18,1%.

“Para a competitividade, isso significa que o benefício de uma geração barata é diluído por camadas regulatórias, fiscais e de rede que se propagam pelos custos de toda a cadeia produtiva”, diz o estudo.

A conta de luz do consumidor brasileiro também encarece por perdas técnicas e fraudes, como os "gatos" de luz e erros de medição. As perdas chegam a 14,3% da energia distribuída, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

O País vive gargalos de transmissão e restrições operativas para usinas renováveis. Ou seja, energia barata que não pode ser transportada ou alocada com eficiência não se converte em vantagem competitiva.

SUBSÍDIOS ULTRAPASSADOS E ATUAÇÃO LEGISLATIVA SÃO PROBLEMA

O principal encargo setorial pago pelos consumidores via conta de luz é a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que chegou a R$ 52,7 bilhões em 2026. A expansão de subsídios para fontes incentivadas vem pressionando o fundo de forma contínua.

A CDE é encarecida, em parte, por subsídios ultrapassados ou que não se justificam, avalia Vivian Figer, pesquisadora do Centro de Estudos em Regulação e Infraestrutura da FGV.

“Além da CDE, tem encargos de serviços, sistemas, várias políticas setoriais, muitas que não se justificam mais. E temos um sistema que está virando descentralizado, com uma inserção enorme de renováveis”, aponta.

Com informações do Diário do Nordeste.