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| Foto Canal Brasil / Divulgação. |
Se a mítica em torno do cantor e compositor cearense Belchior já era grande só pelo aspecto artístico, ela se intensificou na fase em que o artista “sumiu” do escrutínio público, no meio dos 2000, e encontrou novo ápice após a morte do sobralense, em 2017.
Entre biografias literárias e obras audiovisuais sobre ele, muito se falou e teorizou sobre os lados pessoal e artístico do cearense. Uma nova produção se soma ao conjunto: “Alucinação”, série de quatro episódios que estreia no Canal Brasil neste sábado (29) e tenta “desvendar” o artista sob dois prismas.
Tomando emprestado o título do álbum de Belchior que completa 50 anos em 2026, a obra se apresenta como “inspirada” na trajetória do artista e é baseada na biografia "Belchior - Apenas um Rapaz Latino-Americano", de Jotabê Medeiros.
Desconexão entre os dois tempos de Belchior
O gênero biográfico no audiovisual possui possibilidades de narrativa das quais é difícil fugir: ou foca majoritariamente em um momento específico da carreira do retratado — caso de “Meu Nome É Gal”, por exemplo, sobre Gal Costa — ou tenta abarcar a trajetória como um todo — como em “Homem com H”, sobre Ney Matogrosso.
Na série, o cearense é mostrado em duas “versões”: a do jovem que era seminarista e começa a explorar a música e a vida (em papel de Caian Zattar) e a do homem recluso e afastado da mídia que se vê em fuga (interpretado por Luiz Carlos Vasconcelos).
“Alucinação”, então, guia o público a partir dos dois “tempos” retratados de Belchior. Vemos, alternadamente, tanto o contexto familiar, religioso e os primeiros passos artísticos do jovem Antônio quanto a relação afetiva dele com Edna Prometheu (Isabela Garcia), a vida pública e a velhice.
Ainda que a série sugira algumas “costuras” e diálogos entre os momentos de Belchior jovem e Belchior velho, os dois seguem quase sempre em paralelo, sem maiores ligações entre os tempos sendo elaboradas pela produção.
Mesmo em tom, as duas partes não parecem se conectar. A porção que acompanha o cantor na juventude se aproxima de uma abordagem narrativa mais clássica do gênero, enquanto a que segue ele na velhice se abre a escolhas que buscam experimentações
Com informações do Diário do Nordeste.
