sábado, 15 de agosto de 2026

Porto Seco em Iguatu depende de demanda de cargas

Foto Reprodução 
A possibilidade de implantação de um Porto Seco em Iguatu voltou ao debate com o avanço das obras da Ferrovia Transnordestina e a expectativa de entrada em operação do terminal logístico já instalado no município. A discussão é antiga e reúne, ao longo dos anos, representações sociais, entidades empresariais, setores econômicos, instituições de ensino e representantes da classe política, que defendem o aproveitamento do potencial logístico e econômico de Iguatu e do Centro-Sul cearense.

O assunto foi retomado durante o Feirão da Empregabilidade, realizado nesta semana no campus Humberto Teixeira. Na ocasião, o diretor comercial da Transnordestina, Alex Trevisan, foi questionado sobre a possibilidade de Iguatu receber um Porto Seco, diante da expectativa de que uma estrutura desse tipo seja instalada em Quixeramobim.

Trevisan explicou que a implantação de um Porto Seco depende de uma série de fatores, principalmente da existência de volume de cargas que justifique economicamente a estrutura. Segundo ele, a área precisa ser alfandegada pela Receita Federal, mediante licitação ou chamamento, além de passar por estudos técnicos e análise da demanda regional.

“Você tem que ter um grande volume de carga para compensar. Mas não é uma coisa que depende da ferrovia ou do empreendedor, depende do volume de carga da região. Isso tem que ser feito um estudo para ver se compensa ter esse Porto Seco”, explicou.

O diretor também destacou a localização estratégica de Iguatu e a capacidade da região de atender diferentes mercados. Segundo Trevisan, o município está inserido em uma área consumidora e não está distante de Fortaleza, além de possuir condições de alcançar outros estados a partir de um raio de aproximadamente 400 a 500 quilômetros.

“Você consegue atender grande parte de outros estados também, quase todo o Ceará”, afirmou.

A diferença entre as duas estruturas, segundo Trevisan, está justamente na finalidade e nos requisitos para o alfandegamento. O Porto Seco é uma área alfandegada destinada à movimentação e armazenagem de cargas sob controle aduaneiro. Para sua implantação, é necessário que haja demanda suficiente para justificar a presença da Receita Federal e toda a estrutura necessária para a operação.

Diferencial

Trevisan destacou que a existência do terminal logístico de Iguatu pode ser um fator de atração de investimentos. A expectativa é de que a estrutura esteja pronta para operar nos próximos meses, o que poderá ampliar a capacidade logística do município e servir como um diferencial na disputa por novos empreendimentos.

Iguatu, nesse cenário, concorre por investimentos com municípios de outros estados nordestinos, incluindo cidades da Paraíba, Pernambuco e Bahia. Para o diretor da Transnordestina, a infraestrutura disponível e a posição geográfica podem ajudar a colocar o município no radar de empresas interessadas em se instalar no Nordeste.

Apesar da previsão de um Porto Seco em Quixeramobim, Trevisan não descartou a possibilidade de outros projetos logísticos surgirem ao longo da ferrovia. Segundo ele, a Transnordestina terá diferentes terminais e pontos de transbordo, e alguns projetos poderão integrar atividades industriais e estruturas logísticas.

Com informações do Jornal A Praça.