terça-feira, 25 de agosto de 2026

Falta de moradia no Ceará é a menor em 10 anos, mas ainda atinge 216 mil famílias

Foto Kid Junior 
Uma casa pequena, de apenas dois cômodos: sala conjugada com cozinha e um banheiro. Janelas e portas pouco confiáveis. Muros baixos. É assim que Rute Rocha descreve o local onde viveu com a filha por cerca de três anos, no bairro José Walter, em Fortaleza.

Foram sete anos vivendo de aluguel, que ocupava boa parte do orçamento mensal. À medida que os imóveis se valorizavam, as duas precisavam se mudar para casas dentro do limite de R$ 400, reduzindo o padrão estrutural.

"Eu faço bicos de faxina e recebo o Bolsa Família, mas é tudo muito caro. Eu recebia uma ajuda da minha mãe, mas o pai da minha filha não pagava pensão, aí ficava mais complicado", lembra.

A situação mudou em 2024, quando a família foi selecionada para receber um dos imóveis do residencial Cidade Jardim. O edifício se enquadra na Faixa 1 do programa Minha Casa, Minha Vida, que subsidia moradias para famílias de baixa renda.

"Agora temos uma sala com divisória e cada uma tem um quarto. E, agora que a minha filha está maiorzinha, gosta da privacidade dela. Também temos mais segurança e espaços de convivência para brincar e conviver com os vizinhos", relata.

A família de Rute foi uma das milhares que, no Ceará, saíram da situação de déficit habitacional nos últimos anos. O indicador no Estado caiu de 10,2% para 6,54% entre 2014 e 2024, conforme balanço da Fundação João Pinheiro em parceria com o Ministério das Cidades.

O Ceará tem um déficit de 216 mil residências. Em 2014, a necessidade era de 283 mil imóveis. Fortaleza e o Sul do Estado concentram a maior carência de moradias.

Em nível nacional, o índice de carência de habitação caiu de 9% para 7,32% no mesmo período. Faltam cerca de 5,7 milhões de moradias em condições dignas em todo o território brasileiro.

O principal componente do déficit habitacional no Brasil e no Ceará é o ônus excessivo com aluguel, situação em que as famílias de baixa renda gastam pelo menos 30% dos ganhos mensais para alugar um imóvel.

O déficit engloba as moradias que faltam no estoque e aquelas que não têm condições de habitabilidade, como imóveis improvisados e rústicos.

Dentro da necessidade de incremento do estoque, estão a coabitação familiar forçada, quando famílias que gostariam de morar separadas não conseguem, e a moradia em locais não residenciais.

Com informações do Diário do Nordeste.