domingo, 30 de agosto de 2026

Ceará identifica 130 pessoas desaparecidas por meio de banco de DNA

Foto Fernanda Barros
No dia 17 de agosto, uma segunda-feira no bairro Monte Castelo, em Fortaleza, o cotidiano de uma família foi interrompido de forma abrupta. José Barbosa Cavalcante, de 86 anos, conhecido pelos passos rápidos e pelo andar característico, saiu de casa sem esperar pelo filho, que ainda se vestia para acompanhá-lo. 

Desde as 15 horas daquele dia, quando o silêncio confirmou que José não retornaria espontaneamente, a família mergulhou em uma busca incessante e dolorosa.

Nas palavras da filha, Maria Suely, 58, a dor provocada pela incerteza permanece presente. “Desde esse dia a gente está vivendo esse inferno. Parece que o chão se abriu e puxou eu e o meu irmão para dentro. É horrível”, desabafa.

Encontrar uma pessoa desaparecida pode depender de uma informação que ainda não chegou. Em alguns casos, o DNA pode ajudar a estabelecer essa ligação.

É esse um dos objetivos da 4ª Mobilização Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas, realizada desde a segunda-feira passada, 24. A iniciativa integra uma ação coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) para ampliar o cadastro de perfis genéticos de familiares e auxiliar na identificação de pessoas desaparecidas.
Ceará realiza coleta em 11 unidades da Pefoce

No Ceará, as coletas são realizadas em 11 unidades da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce). Conforme a instituição, cerca de 17 atendimentos haviam sido realizados até essa última sexta-feira, 28.

A quantidade de atendimentos durante a mobilização, segundo Samyra Brasil, coordenadora de Análises Laboratoriais Forenses da Pefoce, está relacionada ao fluxo de atendimento já estabelecido no Estado.

Segundo ela, como a coleta de material genético de familiares de pessoas desaparecidas funciona de maneira contínua durante todo o ano, o Ceará não registra uma demanda reprimida que se concentre necessariamente nos períodos de campanha.

“Assim que uma pessoa desaparece, a família já é orientada a ir à Pefoce e realizar a coleta. Por conta dessa rotina já sacramentada, não há um acúmulo de demanda reprimida para os períodos específicos de campanha”, explica.

Com informações do O Povo