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| Fofo Camila Lima |
Desaparecem os povos sem memória. Olhar para trás, ver a história a contrapelo, escavar o que se esconde por trás das versões oficiais é trabalho de honra. Os campos de concentração no Ceará são parte de um dos episódios da história que seguem carregados de silêncios.
Por isso, cada nova obra que revisita o tema representa um gesto contra o esquecimento. Pesquisadores, historiadores, artistas e escritores constroem espaços e abrem caminhos para debates, cada um a seu modo. O romance de estreia do escritor cearense Rafael Caneca, “Não volte sem ele”, é exemplo disso.
Em seu livro, o jovem Tomás é incumbido da missão de viajar para Fortaleza e trazer seu irmão Antônio de volta para casa. O pedido partiu dos pais, após três anos de silêncio do primogênito. No entanto, ao deixar Mombaça e chegar a Senador Pompeu, onde pegaria o trem, descobriu que sua viagem foi negada, mesmo com o suado dinheiro da passagem.
Sem endereço fixo na capital, não podia seguir. Havia ali um plano de contenção do Governo para evitar a migração de retirantes do Interior do Ceará à Capital.
Em meio ao avanço da seca na década de 1930, a fome e a morte dos animais empurraram milhares de sertanejos em direção à Fortaleza, na esperança de uma vida melhor.
Assim, o livro de Caneca surge como uma ferramenta para iluminar o presente e evitar a repetição do passado.
Com informações do Diário do Nordeste.
