quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Acidentes de trânsito são a segunda maior causa de mortes no Ceará

Foto Reprodução 
Os acidentes de trânsito são a segunda maior causa de mortes no Ceará, atrás apenas dos homicídios. Dados da Secretaria da Saúde (Sesa) apontaram para uma taxa de 16 óbitos no trânsito e 36 vítimas de homicídio a cada 100 mil habitantes do Estado em 2025.

As estatísticas fazem parte do boletim epidemiológico "Mortalidade por Acidentes de Transporte no Estado do Ceará, 2010 - 2025", divulgado pela Sesa no mês de julho passado. O documento ainda apresenta as mortes por causas indeterminadas, demais causas externas, suicídios e quedas não intencionais como motivos recorrentes de mortes no Estado.

Taxa de mortalidade por diferentes tipos de óbito no Ceará

Apesar de ainda ser o segundo mais prevalente, o documento mostra redução do número de acidentes de trânsito ao longo da série histórica. Em 2010 foram contabilizados 2065 sinistros, enquanto em 2025 esse número caiu para 1943.

Para o docente do Departamento de Engenharia de Transportes da Universidade Federal do Ceará (UFC), Flávio Cunto, essa redução é consequência de políticas públicas de fiscalização e prevenção aos acidentes no Ceará.

O especialista alerta, entretanto, para a necessidade de intensificação dessas medidas, a fim de frear o avanço recente dos acidentes de trânsito no Ceará, em especial no período pós-pandemia.

"De 2014 até 2020 nós tivemos políticas um pouco mais ativas na segurança viária, principalmente com foco na fiscalização e controle de velocidade. Isso tanto em rodovias quanto em áreas municipais. [...] De 2020 para cá, tem um discreto aumento. É um indício de que as coisas parecem estar estagnadas. A gente precisa rever a política atual para reforçar onde precisamos mais", afirma o doutor em Engenharia de Transportes.

Segundo o diretor de educação do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-CE), Jorge Trindade, uma das principais dificuldade em se avançar na fiscalização e implementação de políticas é a ausência de Departamentos Municipais de Trânsito (Demutrans) nas cidades cearenses.

Dos 184 municípios do Estado, 92 não possuem Demutrans, o que dificulta o acompanhamento dos condutores no dia a dia das localidades, em especial no Interior.

"Infelizmente 92 municípios estão precisando se sensibilizar para a criação desse órgão. Isso faz com que nesses outros municípios apenas o órgão estadual de trânsito, a Polícia Rodoviária Estadual, o Detran, tenham um poder de fiscalização. Essa ausência da integração sistema nacional de trânsito causa situações como a falta do uso do capacete que é recorrente no interior do Estado", acrescenta.

Com informações do O Povo.