terça-feira, 28 de julho de 2026

Saiba quais profissões têm os menores rendimentos do Ceará

Foto Anna Zhukkova/Shutterstock.
Os profissionais do embelezamento, como cabeleireiros, barbeiros e manicures, têm a menor média de rendimentos do Ceará. É o que aponta a Receita Federal, com base nas declarações do Imposto de Renda de 2026.

A categoria de profissionais de beleza teve rendimento médio de R$ 29,7 mil ao longo de 2025, o equivalente a cerca de R$ 2,4 mil por mês.

Isso pode refletir a desvalorização que a manicure Kelma Santos, que atua na área há 17 anos em Fortaleza, vem observando no setor ultimamente.

"Eu venho de uma época em que a gente trabalhava 'normal' e ganhava muito bem. Hoje em dia, para a gente ganhar um valor bom, precisa trabalhar muito mesmo, e ainda tem a logística", comenta.

Ela tem dois filhos e é a principal responsável pelo sustento da família. Para aumentar o número de clientes e a renda, ela começou a atender em domicílio. A profissional encontra, entretanto, uma barreira no público consumidor a preços mais vantajosos.

"Eu já vi relatos de clientes que, em outros estados, encontram valores bem maiores do que aqui. Uma cliente viajou para São Paulo e foi fazer a unha, pé e mão, por R$ 150. Aqui, a gente faz a unha três vezes por esse valor", diz.

A desvalorização atinge principalmente os auxiliares de salões, como escovistas e designers de sobrancelhas, afirma Liduina Marques, presidente do Sindicato dos Oficiais Barbeiros, Cabeleireiros e Similares de Fortaleza (Sindibeleza).

Cabeleireiros, maquiadores e manicures podem firmar contratos de parceria, em que os profissionais recebem comissão por serviço.

"Os auxiliares têm que ser celetistas, de acordo com a legislação, e recebem salário mínimo. E aí sim sofrem desvalorização, por ter um piso salarial pequeno, embora o sindicato lute para que tenham um salário digno. Mas é difícil negociar com o patronato", afirma.

ESTRUTURA DO MERCADO

A menor média de rendimentos entre os trabalhadores de embelezamento está associada à estrutura desse mercado, segundo Thiago Holanda, conselheiro do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE).

"É um setor formado majoritariamente por microempreendedores, profissionais autônomos e pequenos salões, com elevada concorrência e baixa capacidade de repasse de preços", aponta.

Com informações do Diário do Nordeste.a