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| Foto Heloísa Araújo. |
As mesmas mãos que aprenderam a conversar com a terra agora cuidarão de um povo em maior escala. Essa é a tônica de um projeto genuinamente cearense capaz de unir saberes indígenas, conhecimento acadêmico e política pública para consolidar a força da medicina de povos tradicionais no Sistema Único de Saúde (SUS) e, de quebra, a perpetuação de um legado passado de grão em grão, de geração em geração.
“Interculturalidade e Farmácias Vivas” tem como foco a produção de fitoterápicos – produto obtido a partir de plantas medicinais – com base em vegetais cultivados nos próprios territórios indígenas do Ceará. Os números são otimistas e dão dimensão do trabalho: são quatro territórios, 10 espécies medicinais e oito agentes indígenas de cultivo.
Projeto leva saberes indígenas sobre plantas medicinais ao Sistema Único de Saúde no Ceará
Chambá, babosa, capim-santo, hortelã e alecrim-pimenta, por exemplo – semeadas por comunidades Tapeba, Tremembé, Pitaguary, Tabajara e Kalabaça – agora integram uma rede formal de fabricação de fitoterápicos para a rede pública de saúde. O resultado serão 75 mil unidades de xaropes, pomadas e tinturas a partir de raízes fortes e milenares.
“O ponto de partida para tudo foi perceber que temos muita riqueza dentro de nossos territórios a partir de práticas de medicina indígena e de plantas medicinais utilizadas para os mais diversos fins”, introduz Lucas Guerra.
Coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei), entidade unida à Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) e à Universidade Federal do Ceará (UFC) no projeto, ele diz que a iniciativa busca dar visibilidade principalmente para que equipes multidisciplinares de saúde indígena e do SUS possam utilizar, com mais incidência, plantas medicinais fruto de saberes ancestrais.
Ao longo do processo, coube ao Dsei a indicação dos lugares e territórios onde foram estabelecidos hortos de medicina indígena; apoiar a contratação de bolsistas que atuam como agentes indígenas de cultivo; e, por fim, monitorar e acompanhar a execução do projeto.
“Desde o início de tudo, temos colaborado com o fortalecimento das ações. Alguns desses hortos de medicina indígena estão dentro de unidades básicas de saúde indígena ou em espaços comunitários. Cabe ao Dsei a articulação junto aos povos e territórios. Na fase em que estamos, temos atuado também na capacitação de todos os médicos e enfermeiros de saúde indígena que vão receitar os fitoterápicos produzidos a partir do projeto”.
Com informações do Diário do Nordeste.
