quinta-feira, 2 de julho de 2026

No Ceará, 59% alunos da educação técnica ingressaram no ensino superior

Foto Daniel Galber
Estudantes da Educação Profissional e Tecnológica (EPT) no Ceará ingressam mais no ensino superior do que os egressos do ensino médio regular. Conforme um estudo do Itaú Educação e Trabalho (IET), divulgado nesta quinta-feira, 2, nove anos após a conclusão do ensino médio, 59% dos estudantes que cursaram a EPT haviam ingressaram em cursos de graduação. 

Entre os estudantes que concluíram apenas o ensino médio regular, esse percentual foi de 36%. Isso representa uma diferença de 23 pontos percentuais a favor dos estudantes que passaram pela formação profissional.

Já no primeiro ano após a conclusão do ensino médio, 33% dos estudantes que cursaram a Educação Profissional e Tecnológica (EPT) haviam ingressado no ensino superior, enquanto entre aqueles que não cursaram a modalidade o percentual dos que ingressaram no ensino superior era de 18%.

A pesquisa abrange diferentes modalidades de ensino ofertadas por instituições públicas e privadas, como ensino médio regular, técnico integrado, técnico concomitante — quando o estudante cursa o ensino médio e o técnico simultaneamente em instituições distintas —, técnico subsequente, realizado após a conclusão do ensino médio, além da Educação de Jovens e Adultos (EJA) regular e integrada à formação técnica.

No recorte por modalidade de ensino, 52% dos egressos do ensino médio integrado ingressaram no ensino superior, o maior percentual entre as modalidades analisadas. Em seguida aparecem, empatados, o ensino médio regular e o ensino concomitante, ambos com 28% de ingresso no ensino superior. Assim, o ensino médio integrado registra uma diferença de 24 pontos percentuais em relação às demais modalidades.

“Podemos concluir que o ensino médio integrado oferece vantagens em relação ao [ensino] regular em todas as dimensões, enquanto o subsequente possui um foco maior no mercado de trabalho do que no acesso ao ensino superior”, destaca Alysson Portella, um dos pesquisadores responsáveis pelo estudo.

O levantamento foi desenvolvido pelo Itaú Educação e Trabalho a partir do cruzamento de bases nacionais de dados, incluindo o Censo Escolar, a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e o Censo da Educação Superior.

O estudo analisou a trajetória de estudantes formados em 2014, 2018 e 2022, acompanhando sua inserção tanto no mercado de trabalho formal quanto no ensino superior. Foram considerados dados de 4,9 milhões de egressos em todo o Brasil, incluindo 3,4 milhões que concluíram o ensino médio regular e 876 mil formados na Educação Profissional e Tecnológica.

“O ponto mais interessante é que a vantagem do ensino técnico se mantém mesmo entre aqueles que cursaram o ensino superior. Isso parece indicar uma complementaridade, e não uma substituibilidade entre os dois níveis de ensino, mostrando que eles não são rivais, mas podem ser integrados de forma positiva”, afirma Portella.

A superintendente do Itaú Educação e Trabalho, Silvana Oliveira, destaca o potencial da EPT para a ascensão social e melhoria nas condições de vida para a juventude. “Por muitos anos, a educação profissional foi desvalorizada no Brasil, vista como uma opção voltada apenas para a população de baixo poder aquisitivo ou como uma segunda alternativa. Esse cenário mudou. Percebemos que ela finalmente passou a ser vista como um caminho potente para o desenvolvimento das juventudes e do país”, declarou.

Com informações do O Povo.