![]() |
| Foto Fábio Lima |
Embora sejam maioria na pesca artesanal do Nordeste e representem quase metade da força de trabalho do setor no Brasil, as mulheres ainda enfrentam menor acesso a políticas públicas, remuneração inferior à dos homens e baixa participação nos espaços de decisão.
A conclusão é de um estudo publicado na revista científica Fish and Fisheries, desenvolvido com participação de pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) e outras instituições brasileiras e internacionais.
Os dados mostram que o Brasil reúne cerca de 1,7 milhão de pescadores artesanais cadastrados, dos quais aproximadamente 900 mil são mulheres.
No Nordeste, responsável por cerca de 60% da produção da pesca artesanal nacional, elas chegam a superar os homens em número.
Ainda assim, é justamente na região onde estão os menores rendimentos da categoria e uma das maiores concentrações de vulnerabilidades sociais.
Para a oceanógrafa Letícia Cavole, pesquisadora da Universidade da Califórnia e uma das autoras do estudo, a invisibilidade das pescadoras é resultado de uma combinação entre o histórico abandono da pesca artesanal e uma estrutura institucional construída, ao longo dos anos, sob uma lógica predominantemente masculina.
"A pesca artesanal já recebe menos recursos do que a pesca industrial. Somado a isso, permanece a ideia histórica de que pescar é uma atividade exercida principalmente por homens. Como grande parte das organizações do setor é liderada por homens, muitas políticas acabam direcionadas às modalidades praticadas por eles, enquanto o trabalho das marisqueiras recebe menos atenção", afirma.
Com informações do O Povo.
