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| Foto Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados/Júnior Pio/Alece |
As mulheres são maioria entre os eleitores do Ceará, mas essa vantagem numérica não se reflete na ocupação dos espaços de poder. Nas eleições de 2022, elas representavam cerca de 53% do eleitorado do estado.
Ainda assim, aproximadamente 81% dos votos para deputado estadual e deputado federal foram destinados a candidatos homens. O resultado evidencia que, apesar de serem maioria apta a votar, as mulheres continuam enfrentando dificuldades para transformar esse peso eleitoral em representação política.
Especialistas ouvidos pelo PontoPoder avaliam que o problema não começa nas urnas. Antes mesmo do primeiro voto ser registrado, uma série de decisões tomadas pelos partidos influencia quem terá mais condições de chegar competitivo à disputa. É justamente nessa etapa que começa a ser desenhada a desigualdade observada no resultado final.
A disputa começa antes da campanha
A cientista política Monalisa Soares, professora da Universidade Federal do Ceará (UFC) e coordenadora do Laboratório de Estudos sobre Política, Eleições e Mídia (Lepem), avalia que a representação feminina começa muito antes da votação. Para ela, os partidos ainda reproduzem desigualdades de gênero ao privilegiar candidaturas masculinas desde a formação das chapas até a distribuição dos recursos de campanha.
"Os partidos historicamente têm priorizado candidaturas masculinas. Isso significa uma distribuição desigual de recursos, do tempo de televisão, da visibilidade e dos meios necessários para realizar as campanhas eleitorais", afirma.
Na prática, isso significa que muitas mulheres chegam à disputa em condições inferiores, com menos recursos, menos exposição e menor apoio interno. O resultado acaba aparecendo nas urnas.
Essa leitura é reforçada pelo estrategista político e especialista em marketing eleitoral Adriano Canutto. Para ele, o resultado das urnas precisa ser analisado para além do comportamento do eleitor. A diferença, segundo o especialista, está nas condições em que homens e mulheres chegam à disputa.
"A persistência de 81% dos votos direcionados a homens não é um problema de preferência de voto, mas de oferta qualificada e infraestrutura de campanha", diz.
Com informações do Diário do Nordeste.
