segunda-feira, 13 de julho de 2026

Em 6 meses, número de bebês acolhidos em Fortaleza aumenta 52%

Foto Fabiane de Paula

A quantidade de crianças recém-nascidas acolhidas em Fortaleza – ou seja, encaminhadas para o serviço de acolhimento institucional, mais conhecido como “abrigo” – cresceu. Não apenas: o número é mais que o dobro que qualquer outro perfil etário acolhido. Os dados são do Sistema Nacional de Adoção (SNA), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e integram cenário apresentado no último dia 1º de julho.

Conforme o panorama, 41 bebês com menos de um ano de idade estão nessa situação, enquanto outros 20 ainda não completaram dois anos. Comparado às estatísticas de janeiro deste ano – com 27 crianças de até um ano acolhidas – o salto foi de 52%.

De acordo com o promotor de Justiça Dairton Oliveira, do Ministério Púbico do Ceará (MPCE), existe uma crença de que adolescentes são mais acolhidos, quando, na verdade, jovens presentes nos abrigos acabaram sendo acolhidos ainda recém-nascidos, e o Sistema de Justiça os “esqueceu”, deixando-os envelhecer por lá.

“Recentemente, tivemos a adoção de um adolescente de 17 anos que entrou em um abrigo ainda bebê”, conta o integrante da 12ª Promotoria de Defesa da Infância em Fortaleza – cujo objetivo é fiscalizar a correta alimentação do SNA e garantir os direitos das crianças acolhidas.

Ao refletir sobre os dados recentemente divulgados, a finalidade, segundo Dairton, é chamar atenção para a “invisibilidade total” das crianças acolhidas, uma vez que elas entram ainda bebês nos abrigos e são tratadas pelo Sistema de Justiça como “objetos de direito” dos parentes de sangue. Resultado: crescem sem direito a uma família.

“A cada seis meses, sempre nos dias 1º de janeiro e 1º de julho, costumamos verificar o cenário da adoção em Fortaleza para ver o andamento geral dos processos das crianças e dos pretendentes à adoção, e realizamos estudos e conclusões comparando os referidos cenários”, explica o promotor.

Com informações do Diário do Nordeste.