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| Foto Marcelo Camargo/ Agência Brasil |
A confirmação do El Niño em 2026 acendeu mais uma vez o alerta na operação do sistema elétrico brasileiro, sobretudo para o segundo semestre. O fenômeno, que consiste no aquecimento anômalo da temperatura do oceano Pacífico, tem impacto negativo na geração das hidrelétricas.
O fenômeno deve permanecer até, pelo menos, o início de 2027, e tem elevada possibilidade de atingir dimensão muito forte, segundo boletim realizado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Como consequência, as regiões terão diferentes alterações nos padrões climáticos.
Os efeitos esperados do El Niño são chuvas intensas no Sul e redução nas precipitações no Norte e Nordeste no primeiro semestre do próximo ano. Já o Sudeste e Centro-Oeste podem enfrentar seca e poucas chuvas já neste segundo semestre.
Como as duas regiões centrais concentram parte considerável das hidrelétricas, a diminuição nas chuvas afeta a geração de energia, aponta Cleiton Silveira, professor do Laboratório de Recursos Hídricos da Universidade Federal do Ceará (UFC).
"O setor elétrico é formado em grande parte por hidrelétricas a fio d'água e com reservatórios de acúmulo. A energia gerada depende da vazão, consequente da precipitação. Qualquer alteração nos padrões normais de precipitação afeta a geração", explica.
Outro impacto do fenômeno se relaciona à demanda por energia no Brasil. Com elevação das temperaturas e formação de ondas de calor, os consumidores aumentam o uso de ar-condicionado e outros refrigeradores.
"A Empresa de Pesquisa Energética destaca que mudanças climáticas e calor extremo podem gerar picos de demanda por maior necessidade de climatização, tornando o planejamento da carga mais complexo", comenta Vanderlei Martins, professor de planejamento energético da FGV.
Com informações do Diário do Nordeste.
