segunda-feira, 20 de julho de 2026

Economia cearense exporta sem agregar valor

Foto Thiago Gadelha
Suscitou comentários com pontos de vista diferentes a análise de Fábio Feijó, secretário do Desenvolvimento Econômico do governo do Ceará, que sábado, aqui, refletindo sobre o Relatório da Unctad a respeito do investimento mundial em 2025, disse que o Ceará está deixando de competir com estados vizinhos para disputar com países a atração de capitais internacionais, citando entre eles o México, a Malásia e o Vietnã. Entre esses comentários, destacaram-se os de dois empresários industriais, com atuação em ramos diferentes dessa atividade, os quais transmitiram à coluna opiniões divergentes. 

O primeiro disse que o Ceará “deixou de disputar com estados vizinhos porque o Brasil e seu governo perderam a capacidade de investir por culpa da irresponsável política fiscal, cujo resultado pode ser visto no aumento da dívida pública e do seu serviço, nos juros altos da economia e no crédito quase inalcançável”. A saída, então, ele acrescentou, “é essa mesma, ou seja, buscar lá fora recursos que aqui não existem; na verdade, eles até existem, mas a um preço inviável, de tão caro, frustrando qualquer projeto de ampliação dos atuais ou de abertura de novos negócios”.

O segundo industrial foi também objetivo na sua observação, ao dizer que “o governo do Ceará e seu secretário do Desenvolvimento Econômico fazem o certo, mas permitem o errado: estão corretos quando saem à procura de investimentos além das fronteiras nacionais, mas estão errados quando se sujeitam à vontade dos investidores”. E citou o caso do Data Center da chinesa ByteDance, dona do TikTok, que segue em acelerada construção na ZPE do Pecém.

“É um grande investimento que coloca o Ceará no mapa do mundo da alta Tecnologia da Informação, mas o que esse DataCenter produzirá para o Ceará e os cearenses? Empregos? Alguém duvida de que serão técnicos e especialistas chineses que o operarão? E ainda vamos gerar energia renovável para o funcionamento dessa gigantesca máquina tecnológica, cujos serviços serão exportados, e com incentivos fiscais. E teremos de garantir água para refrigerar seus milhares de servidores, sistemas de armazenamento de dados e equipamentos de rede”, argumentou ele.

Com informações do Diário do Nordeste.