domingo, 26 de julho de 2026

Avô leva netos para visitar a cidade natal todo ano e apresenta locais importantes da própria vida, no Rio Grande do Norte

Foto Arquivo pessoal.
Quando fugiu para andar a cavalo e acabou caindo em arame farpado. Quando dava voltas na pequena feira e fazia questão de cumprimentar quem passava. Quando visita a casa onde morou e suspira, saudoso. Solon Batista Gonçalves não vivencia esses fatos em qualquer época. Aos 80 anos, escolhe o mês de julho, no qual se comemora o Dia dos Avós, para partilhá-los. E de modo especial: em família e na própria cidade de origem, a oito horas de Fortaleza.

Foi em Martins, interior do Rio Grande do Norte, que esse avô contador de histórias cresceu. E é nesse município que realiza feito carinhoso: alimenta, de geração em geração, o gosto por retornar à cidade e sentir, na escuta e na pele, o que ele próprio testemunhou. Ora são eventos pequenos, que apenas ele viu; ora revelam facetas de outras pessoas, outras famílias, cantinhos que passariam despercebidos, não fosse a ótica apurada do idoso de alma jovem.

Quem tem contato com esse universo, se sente privilegiado, claro. Avós viajantes no tempo – esses outros tempos do mundo e dos lugares – não são raros; mas um avô que cria uma tradição feito essa, de retorno à terra natal apenas para permitir aos netos o ingresso a esse verdadeiro portal íntimo, é luz acesa para a memória. O ato de seu Solon é nobre devido a isso: não deixa que desapareçam rastros da vida de todo dia. Estica a existência deles.

“É sempre um momento muito especial pra mim e para todos os netos. Desde os meus oito, 10 anos de idade, que vou pra essa cidade com ele”, recorda Luiz Gustavo Nery. Aos 27 anos, o economista volta a ser criança ao lembrar a travessia de Fortaleza até Martins, de todo o movimento para isso acontecer. Tropa encorpada: cinco carros, 20 pessoas, um fim de semana inteiro em outras paisagens – físicas e da alma.

Pequenos, os primos pouco entendiam a importância daquela boa agitação anual, capaz de animar filhos e netos. Crescidos, dimensionam tudo de outra forma. É maneira de afirmar que ter avós é muito bom. “Meu avô é, antes de tudo, um pai. Ele que me criou desde o meu primeiro ano de idade, então sempre tive essa proximidade – tanto que o chamo de ‘pai’. É muito amoroso, cuida bem da casa, nunca deixou faltar nada”, celebra Luiz Gustavo.

Com informações do Diário do Nordeste.