domingo, 14 de junho de 2026

Ceará consegue diversificar a pauta exportadora após o tarifaço dos Estados Unidos

Foto Thiago Gadelha 
Um dos estados mais afetados pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos, o Ceará viu a necessidade de ajustar sua política de comércio exterior para não depender do comércio norte-americano.

As empresas cearenses conseguiram aumentar o montante enviado a outros países. Contudo, ainda há necessidade de expandir os setores da pauta exportadora, segundo especialistas ouvidos pelo Diário do Nordeste.

A representatividade dos Estados Unidos nos produtos exportados pelo Ceará saiu de 47,6% para 35,2%. O país segue como o maior parceiro comercial cearense, mas o montante enviado caiu de US$ 366 milhões para US$ 294 milhões.

O comparativo considera os meses de janeiro a maio de 2025 com o mesmo período de 2026, com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Apesar da queda no país norte-americano, o volume total exportado pelo Ceará aumentou 8,5%, passando de US$ 770 milhões para US$ 835 milhões. Entre os países que mais cresceram em envios estão México, Espanha e Alemanha.

O México não figurava entre os 10 maiores importadores de produtos cearenses em 2025 e se tornou o terceiro maior comprador nos primeiros cinco meses de 2026. O montante enviado ao país latino cresceu mais de nove vezes, saindo de US$ 5 milhões para US$ 47 milhões.

Já a Espanha mais que triplicou as compras de itens cearenses e passou do 11.º para o segundo lugar. A Alemanha cresceu o montante recebido do Ceará de R$ 16 milhões para R$ 43 milhões.

NECESSIDADE DE DIVERSIFICAR PRODUTOS

Embora a expansão da malha de países seja positiva, é preciso diversificar os produtos enviados ao exterior, defende Karina Frota, gerente do Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec).

Karina Frota destaca que o aumento de 8,5% no total exportado foi puxado sobretudo por produtos semimanufaturados de ferro, que há anos dominam a pauta exportadora cearense.

"No México, esse produto respondeu por cerca de US$ 42,3 milhões, quase 90% das exportações cearenses ao país. Na Espanha, somou cerca de US$ 33,9 milhões, aproximadamente 72% do total vendido para esse mercado", aponta.

Com informações do Diário do Nordeste.