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| Foto José Cruz/ Agência Brasil |
Está feia a coisa para quem empreende no comércio varejista, cujas vendas têm caído por vários motivos, o primeiro e principal dos quais é a elevadíssima taxa de juros, que torna o crédito quase inacessível, e o melhor e o mais bem acabado exemplo disto é o da Casas Bahia – que pediu Recuperação Judicial com uma dívida de R$ 4 bilhões. Ela foi obrigada a fechar dezenas de lojas em todo o país e a demitir mais de 5 mil colaboradores, o mesmo que a população da sede de alguns municípios do interior do Brasil.
A Casas Bahia, uma das mais tradicionais empresas do varejo brasileiro, rendeu-se à realidade, e esta é a mesma que castiga, também, a indústria têxtil e de confecções, que enfrenta – além dos juros altos – a queda da renda das famílias e a concorrência quase desleal dos produtos asiáticos (leia-se da China).
Segundo o Banco Central e a Febraban, há 82 milhões de famílias brasileiras na condição de inadimplência, o que levou o governo a criar o Desenrola 2.0, que, de acordo com os economistas, precederá o Desenrola 3.0, porque não se resolverá neste ano, nem no próximo, o problema da dívida das pessoas físicas e jurídicas. E um novo socorro desenrolado terá de vir.
Como disse ontem nesta coluna o empresário Cristiano Maia, juro de até 4% ao mês torna muito difícil até a vida do crime organizado.
Este é um ano eleitoral e, principalmente, ré eleitoral do ponto de vista de quem está no poder. O que provoca os juros altos? Há várias causas e duas delas são estas: 1) o aumento da inflação, que tem como consequência uma política monetária mais restritiva, motivando a elevação da taxa de juros; 2) os gastos do governo, que, nos últimos meses, explodiram (o pacote de bondades do Palácio do Planalto, que ainda continua sendo ampliado, já ultrapassou os R$ 120 bilhões -- só com o financiamento de veículos elétricos Zero Km para os motoristas de aplicativos estão previstos R$ 30 bilhões).
Contribuem, também, para a alta taxa de juros o endividamento das famílias, o que tem a ver com o baixo nível da poupança interna, a inadimplência nas alturas e a baixa oferta de crédito, que está muito concentrada em poucas instituições financeiras, acarretando a falta de concorrência no mercado do dinheiro. Simples assim.
Tudo o que acima está dito desemboca no que a turma da geral e da arquibancada chama de Custo Brasil, de que faz parte, com destaque de protagonista, a pesadíssima carga de impostos. No ano passado, o Congresso Nacional aprovou uma Reforma Tributária com a solene promessa de que ela simplificaria a vida do contribuinte pessoa física e jurídica.
Neste corrente ano de 2026, essa reforma passa pelo que está sendo denominado de “período de transição”, ou seja, 12 meses de treinamento para os tributaristas das empresas aprenderem a conviver com os novos processos e as novas rotinas. Mas o que se colhe das equipes responsáveis pelo planejamento tributário das organizações empresariais e dos escritórios de contabilidade é a opinião de que a Reforma Tributária continuará mantendo ricas as já muito ricas bancas de advocacia, sustentando a tradição do Parlamento brasileiro, que não deveria ser, mas é, uma casa especializada em fazer leis de duplo ou triplo sentido e de múltiplos objetivos, com detalhes nas entrelinhas que só os tribunais superiores, inclusive o STF, podem decidir. Isto inibe investimentos.
Fica provado que o Brasil não é hoje, nem o será amanhã, um país para amadores.
Para assustar e até mesmo inviabilizar um grande investimento estrangeiro no Brasil, há, primeiro, uma insegurança jurídica que, em menos de um ano, se agravou e se tornou verdadeira, graças às investigações da Polícia Federal e da Receita Federal cujos agentes descobriram o que se chama hoje de “escândalo do Banco Master” – uma cascata de fraudes que lesaram milhares de pessoas jurídicas e físicas e deixaram um rombo que se aproxima dos R$ 80 bilhões. Em segundo lugar, há – no mesmo caudal – o envolvimento provado de ilustríssimas, excelentíssimas e meritíssimas autoridades dos três poderes da República.
Temos o Brasil endividado e assustado, e sua população, também.
Com informações do Diário do Nordeste.
