sexta-feira, 19 de junho de 2026

Eletrodomésticos disparam e materiais de construção afundam no Ceará

Foto Shutterstock/Lightpoet/Imagem ilustrativa
O comércio varejista cearense cresceu 4,3% no acumulado do ano até abril de 2026, segundo dados recentes publicados pelo IBGE — e 3,8% no conceito de comércio varejista ampliado, que inclui veículos e materiais de construção. 

Os números são positivos, mas escondem dois movimentos opostos que merecem atenção: de um lado, os eletrodomésticos vivem um dos melhores momentos da série histórica; de outro, os materiais de construção enfrentam a pior fase desde a recessão de 2016.

ELETRODOMÉSTICOS: O EFEITO COPA JÁ COMEÇOU?

As vendas de eletrodomésticos no Ceará cresceram 20,8% em abril de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Foi o melhor desempenho entre todos os segmentos do varejo cearense no mês e o melhor abril para a categoria desde 2022 (+27,8%).

No acumulado do ano de 2026, o volume de vendas de eletrodomésticos avança 10,4%. Parte desse resultado pode ter relação com a Copa do Mundo de 2026, que acontecem nos meses de junho e julho nos Estados Unidos, México e Canadá.

Historicamente, os meses que antecedem o torneio impulsionam as vendas de TVs e eletrônicos. Em 2014, quando o Brasil sediou a Copa, as vendas de eletrodomésticos no Ceará cresceram 9,6% em abril e 20,1% em maio.

Em 2018, abril ficou em 8,1%. Já em 2022, com a Copa do Catar realizada entre novembro e dezembro, o efeito se somou ao 13º salário e as vendas avançaram 22,6% em novembro.

MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO: O PIOR ABRIL EM UMA DÉCADA

Na outra ponta, os materiais de construção registraram queda de 13,9% em abril, frente ao mesmo mês de 2025. É o pior resultado para o mês desde 2016 (-33,4%), quando o país vivia uma recessão profunda, desconsiderando o período da pandemia.

No acumulado do ano de 2026, o tombo chega a 10,4% — o espelho exato, com o sinal trocado, do avanço dos eletrodomésticos (+10,4%). A reversão na performance de vendas de material de construção impressiona.

Em maio de 2025, o segmento ainda acumulava alta de 14,2% no ano: são quase 25 pontos percentuais de diferença em menos de 12 meses.

Nos últimos 12 meses, as vendas foram negativas em nove deles, e o ponto de baixa mais profundo foi fevereiro de 2026, quando a queda chegou a 17,7% em um único mês.

Com informações do Diário do Nordeste.