quinta-feira, 4 de junho de 2026

De Barbalha, ‘Solteirona de Santo Antônio’ vira Personalidade do Folclore Brasileiro pela Unesco

Foto Ismael Soares
Personagens do folclore nacional não estão distantes. Podem estar entre nós. Prova disso é o reconhecimento alcançado por Socorro Luna no último sábado (30), durante a Festa de Santo Antônio do Pau da Bandeira, em Barbalha, interior cearense. 

Considerada a solteirona mais famosa do País, a professora e advogada aposentada agora possui o título de Personalidade do Folclore Brasileiro concedido pela Organização Internacional do Folclore e Artes Populares (IOV) – entidade parceira oficial da Unesco, fundada em 1979 e uma das maiores instituições do mundo dedicadas à valorização, preservação e difusão do patrimônio cultural imaterial, do folclore e das artes populares.

A distinção, prestigiosa, foi recebida com emoção pela homenageada. “O sentimento é de grande conquista. Nunca imaginei que chegaria tão longe. Tô tão grata hoje, que minha palavra é gratidão. Santo Antônio realmente me ama”, festeja a idosa de 72 anos. Devota incondicional do padroeiro, Socorro alicerçou a vida nos pilares da fé e da tradição.

O nome dela está intimamente ligado, por exemplo, à famosa Noite das Solteironas, ao chá de Santo Antônio e às simpatias casamenteiras pertencentes ao imaginário popular das celebrações juninas da região sul do Ceará. Desde que criou o evento dedicado às solteiras, há 30 anos, foi chamada de “A solteirona de Santo Antônio”, algo que muito a orgulha.

“Serviu pra quebrar o preconceito de solteira ser vista como enjeitada, alguém que ninguém queria. Pelo contrário: a opção de ficar solteira, pra mim, foi uma escolha. Não tenho frustração nenhuma por ser assim. Sou plenamente realizada em todas as minhas conquistas”.

Segundo ela, o processo para se tornar personalidade folclórica aconteceu mediante visita da Organização Internacional do Folclore e Artes Populares. Na placa entregue pela instituição, é possível ler: “Em reconhecimento à sua relevante contribuição à valorização, promoção e preservação da cultura popular nordestina, especialmente por sua marcante atuação na tradicional Festa de Santo Antônio do Pau da Bandeira na cidade de Barbalha - Ceará”.

“Já mudou minha vida, estou sendo vista por todos, muitos que não conheço vêm me parabenizar”, celebra, ainda em tom de festa. “Agora, minha responsabilidade aumenta. Quando iniciei a Noite das Solteironas, o objetivo era mostrar nossas tradições, cultura e realidade para o Brasil. Consegui. E a Unesco, quando viu, resolveu me premiar. A importância desse título é representar nacionalmente nossa cultura popular. Não tem preço”.

Com informações do Diário do Nordeste.