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| Foto Ismael Soares |
Personagens do folclore nacional não estão distantes. Podem estar entre nós. Prova disso é o reconhecimento alcançado por Socorro Luna no último sábado (30), durante a Festa de Santo Antônio do Pau da Bandeira, em Barbalha, interior cearense.
Considerada a solteirona mais famosa do País, a professora e advogada aposentada agora possui o título de Personalidade do Folclore Brasileiro concedido pela Organização Internacional do Folclore e Artes Populares (IOV) – entidade parceira oficial da Unesco, fundada em 1979 e uma das maiores instituições do mundo dedicadas à valorização, preservação e difusão do patrimônio cultural imaterial, do folclore e das artes populares.
A distinção, prestigiosa, foi recebida com emoção pela homenageada. “O sentimento é de grande conquista. Nunca imaginei que chegaria tão longe. Tô tão grata hoje, que minha palavra é gratidão. Santo Antônio realmente me ama”, festeja a idosa de 72 anos. Devota incondicional do padroeiro, Socorro alicerçou a vida nos pilares da fé e da tradição.
O nome dela está intimamente ligado, por exemplo, à famosa Noite das Solteironas, ao chá de Santo Antônio e às simpatias casamenteiras pertencentes ao imaginário popular das celebrações juninas da região sul do Ceará. Desde que criou o evento dedicado às solteiras, há 30 anos, foi chamada de “A solteirona de Santo Antônio”, algo que muito a orgulha.
“Serviu pra quebrar o preconceito de solteira ser vista como enjeitada, alguém que ninguém queria. Pelo contrário: a opção de ficar solteira, pra mim, foi uma escolha. Não tenho frustração nenhuma por ser assim. Sou plenamente realizada em todas as minhas conquistas”.
Segundo ela, o processo para se tornar personalidade folclórica aconteceu mediante visita da Organização Internacional do Folclore e Artes Populares. Na placa entregue pela instituição, é possível ler: “Em reconhecimento à sua relevante contribuição à valorização, promoção e preservação da cultura popular nordestina, especialmente por sua marcante atuação na tradicional Festa de Santo Antônio do Pau da Bandeira na cidade de Barbalha - Ceará”.
“Já mudou minha vida, estou sendo vista por todos, muitos que não conheço vêm me parabenizar”, celebra, ainda em tom de festa. “Agora, minha responsabilidade aumenta. Quando iniciei a Noite das Solteironas, o objetivo era mostrar nossas tradições, cultura e realidade para o Brasil. Consegui. E a Unesco, quando viu, resolveu me premiar. A importância desse título é representar nacionalmente nossa cultura popular. Não tem preço”.
Com informações do Diário do Nordeste.
