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| Foto Arquivo pessoal. |
Amor de carnaval é uma coisa. Amor junino é outra. Este segundo pode render histórias feito a de Alessandro e Aryeli. Em 12 de junho do ano passado, quando começaram a namorar, nunca imaginaram que um dia seriam "adversários", embora ainda no relacionamento, pelo mesmo motivo que os uniu: a chama pela tradição, o entusiasmo por encantar plateias ao celebrar corpo e carisma em quadra.
O motivo para o embate é simples. Alessandro ocupa o posto de noivo na quadrilha Junina Babaçu; Aryeli é noiva na Paixão Nordestina. Não bastasse o peso das representações, ambos os grupos são os maiores concorrentes do segmento em solo cearense – espécie de clássico-rei ao som de triângulo e zabumba. E, então, como manter a relação assim?
“É tranquilo, mas não é tranquilo”, confessa Alessandro, aos risos. “Às vezes ‘pego um ar’ danado porque sou muito competitivo. Não sei perder. Então, quando acontecem coisas que não acho justo, fico chateado. A gente briga, mas depois se acerta”. Aryeli, embora com ânimo menos acirrado, também tem opinião concreta. Diz que dorme com o rival.
“Participar de uma quadrilha junina hoje é mais que diversão. Não chega a ser um trabalho porque você não ganha dinheiro, não há um retorno nesse sentido, mas levamos tudo muito a sério. Neste ano, em específico, quando as nossas duas quadrilhas estão com temas parecidos, a responsabilidade aumenta: a gente se coça pra compartilhar as coisas, mas não pode”.
De fato, “Chão Sagrado” é a insígnia da Junina Babaçu em 2026; por sua vez, a bandeira da Paixão Nordestina é “O Canto do Meu Pessoal”. Tanto no repertório quanto em outros campos, a ênfase no Pessoal do Ceará e a homenagem aos 300 anos de Fortaleza pulsam forte. Mesmo assim, garante o casal, o profissionalismo reina.
“É preciso guardar sigilo e manter o máximo de compromisso com a quadrilha pra que não acabe em conflito maior. Além disso, tem um desafio extra: precisa haver conexão entre noivo e noiva para mostrar ao público e aos jurados que, naquele momento, quem dança é um casal apaixonado – mesmo que a gente não namore com nossos parceiros atuais de dança”.
O pensamento revela não apenas um carinho particular pela arte junina, como também sobre quem eles são. Alessandro e Aryeli encontram nos obstáculos inerentes ao ofício razão suficiente para continuar juntos e admirar o desempenho de cada um – ainda que isso custe às agremiações de ambos o almejado título de campeã festivais afora.
Ele aprecia nela a dedicação, o bailar bonito, o encantamento dos gestos. Diz que se apaixonou assim que notou esse brilho. “Ela quer fazer com que as pessoas que a vejam dançando se encantem e fiquem felizes com aquilo. Isso me deixa feliz porque vejo que faz de coração. Ela ama o que faz, e consegue transmitir esse sentimento”.
Aryeli chega a se emocionar quando fala de Alessandro. Referência no meio, com 23 anos de estrada, ele a inspira a dançar com a alma, expôr o coração na ginga. “A gente que tá perto, acompanhando o processo dele, vê que ele se dedica muito, em tudo – desde o figurino até o repertório, passando pela coreografia. Já disse a ele que meu sonho é dançar com ele porque eu nunca vi um par mais parceiro. É lindo demais ver ele dançando”.
Com informações do Diário do Nordeste.
