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| Foto Natinho Rodrigues. |
Quem se banha nas águas das praias da Taíba, em São Gonçalo do Amarante, e da cidade de Paracuru, no litoral do Ceará, nem imagina que pode estar dividindo espaço com animais marinhos que abrigam uma bactéria capaz de produzir uma substância que poderá vir a se tornar um novo fármaco no tratamento do câncer de próstata e de ovário.
Em testes laboratoriais realizados por pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade de São Paulo (USP), a molécula demonstrou potencial comparável ao de quimioterápicos tradicionais, considerados “padrão-ouro” no combate à doença, que é uma das que mais matam no mundo. O estudo foi publicado na revista Chemistry and Biodiversity em abril.
Chamado piericidina A1, o composto natural foi isolado em bactéria do gênero Streptomyces — nomeada pelos autores de BRA-035 — que vive sobre zoantídeos do gênero Palythoa, tipo de animal invertebrado semelhante a corais, encontrados em praias como as dos municípios da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).
O potencial anticâncer das piericidinas não é uma novidade para a ciência. A atividade é estudada desde a década de 1970. Porém, esta é a primeira vez que uma pesquisa identifica quais tumores podem ser mais vulneráveis à molécula, conforme explica uma das autoras do estudo, a pesquisadora Katharine Florêncio, membro do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM) da UFC.
“Não é só porque uma molécula foi estudada anteriormente que ela não pode ser vista com outro olhar. [...] A gente queria, de fato, encontrar como ela estava agindo e os tipos de células tumorais que ela podia ter uma melhor atividade.”
Com informações do Diário do Nordeste.
