segunda-feira, 22 de junho de 2026

Bactéria do litoral do Ceará produz substância com potencial para tratar câncer

Foto Natinho Rodrigues.
Quem se banha nas águas das praias da Taíba, em São Gonçalo do Amarante, e da cidade de Paracuru, no litoral do Ceará, nem imagina que pode estar dividindo espaço com animais marinhos que abrigam uma bactéria capaz de produzir uma substância que poderá vir a se tornar um novo fármaco no tratamento do câncer de próstata e de ovário. 

Em testes laboratoriais realizados por pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade de São Paulo (USP), a molécula demonstrou potencial comparável ao de quimioterápicos tradicionais, considerados “padrão-ouro” no combate à doença, que é uma das que mais matam no mundo. O estudo foi publicado na revista Chemistry and Biodiversity em abril.

Chamado piericidina A1, o composto natural foi isolado em bactéria do gênero Streptomyces — nomeada pelos autores de BRA-035 — que vive sobre zoantídeos do gênero Palythoa, tipo de animal invertebrado semelhante a corais, encontrados em praias como as dos municípios da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).

O potencial anticâncer das piericidinas não é uma novidade para a ciência. A atividade é estudada desde a década de 1970. Porém, esta é a primeira vez que uma pesquisa identifica quais tumores podem ser mais vulneráveis à molécula, conforme explica uma das autoras do estudo, a pesquisadora Katharine Florêncio, membro do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM) da UFC.

“Não é só porque uma molécula foi estudada anteriormente que ela não pode ser vista com outro olhar. [...] A gente queria, de fato, encontrar como ela estava agindo e os tipos de células tumorais que ela podia ter uma melhor atividade.”

Com informações do Diário do Nordeste.