domingo, 28 de junho de 2026

Avanço de capivaras desafia Ceará em meio à falta de dados sobre população do animal

Foto Divulgação/PMCE.
De aparência fofa e inofensiva, a capivara ganhou destaque recente como personagem de desenhos e materiais lúdicos. Contudo, o retorno da espécie que já foi considerada extinta localmente no Ceará está gerando um impasse para órgãos públicos, que agora discutem um plano para equilibrar preservação ambiental, saúde pública e expansão econômica das cidades. 

Durante o I Encontro Técnico de Gestão da Fauna Silvestre, realizado na Procuradoria Geral de Justiça do Ministério Público do Ceará (MPCE), nesta semana, em Fortaleza, especialistas e gestores alertaram que o Estado enfrenta um aumento significativo da população de capivaras, sobretudo em municípios da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) e já se expandindo em direção ao Maciço de Baturité.

Contudo, ainda não há dados técnicos suficientes para fundamentar um plano de manejo eficaz. Essa lacuna tem gerado impactos econômicos, com prejuízos em produções agrícolas, e riscos sanitários, devido à possibilidade de transmissão de doenças para seres humanos.

Karine Rocha, orientadora da Célula de Animais Silvestres da Secretaria Estadual da Proteção Animal (Sepa), revelou que o órgão recebe ligações “praticamente todos os dias” de municípios solicitando ajuda. No entanto, o Estado ainda carece de levantamentos sobre a estimativa populacional e a movimentação dos bichos.

Assessor técnico da Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), Roberto Ribeiro complementa que o órgão possui papel fiscalizador sobre a fauna silvestre, mas só dispõe de dados empíricos e relatos, faltando uma metodologia científica para entender a real dimensão do problema.

Por isso, um dos encaminhamentos do encontro técnico foi a necessidade de que cada município cearense impactado realize o mapeamento dos animais em seu território, considerando que o problema se trata de uma realidade local.

A expectativa é que os levantamentos locais subsidiem a elaboração de um plano estadual, estabelecendo diretrizes técnicas padronizadas para o manejo das capivaras e de outras espécies da fauna silvestre em todo o Ceará.

Presente no evento, o diretor de relações institucionais da Associação dos Municípios do Estado do Ceará (Aprece), Expedito José do Nascimento, ressaltou que o fenômeno é novo e que as entidades devem ter preocupação e responsabilidade em comunicar corretamente a população afetada sobre os impactos do crescimento.

“Podemos criar equipe interdisciplinar para levar informações aos produtores rurais através das instituições municipais. É importante saber onde está a causa, alguém tem que tomar a frente”, declarou.

Com informações do Diário do Nordeste.