quinta-feira, 11 de junho de 2026

Agricultor que achou petróleo no interior do Ceará avalia vender gado por falta de água

Foto Marcelo Andrade/IFCE
Convivendo com a escassez de água e de orientações oficiais desde a descoberta de petróleo no subsolo da propriedade em Tabuleiro do Norte, o agricultor Sidrônio Moreira, de 63 anos, cogita vender os únicos cinco novilhos restantes de sua criação.

A informação foi relatada pelo filho do produtor, Sidnei Moreira. A família reside no Sítio Santo Estevão, a cerca de 35 km do centro do município, e encontrou a substância após perfurar dois poços artesianos em busca de águaa para irrigar a plantação e alimentar os animais da propriedade.

No entanto, em novembro de 2024, veio a surpresa: em vez de água, do chão brotou um líquido escuro e com odor semelhante a óleo e asfalto fresco. Já no último dia 19, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) concluiu que a substância encontrada é "petróleo cru".

Atualmente, seu Sidrônio, a esposa, Maria Luciene, e o filho Sidnei, que residem no sítio, não arriscam novas perfurações para buscar água por medo de contaminação e pela falta de clareza nas orientações das autoridades oficiais sobre como proceder com o terreno após a descoberta.

Questionada sobre o caso, a ANP respondeu que a responsabilidade de avaliar o terreno e indicar medidas de segurança seria da Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Estado do Ceará (Semace).

A pasta, por sua vez, informou que, na manhã desta quinta-feira (11), ocorrerá uma reunião para definir os próximos passos relacionados ao caso.

Sem água, agricultor teme pausa das chuvas

Na falta de água, a família mantém apenas uma pequena horta sem irrigação e uma criação de 20 cabras e cinco novilhos, que ameaça ser reduzida caso a situação se prolongue por mais tempo. No momento, a única renda para os três vem de um salário de aposentadoria (R$ 1.621).

Após a repercussão do caso, uma nova adutora foi inaugurada e passou a abastecer o sítio. No entanto, o valor ainda desconhecido do uso desse recurso causa receio na família, que mantém o consumo da água restrito às necessidades básicas.

"Se não resolverem logo, teremos de vender o gado porque, quando chega o período sem chuva, ele emagrece muito e fica inviável. Sabemos que uma propriedade rural consome muita água. Veremos quando chegar a fatura. Quando chegar o período sem chuva, não terá condição", teme Sidnei.

Na época da perfuração dos dois poços, seu Sidrônio precisou fazer um empréstimo bancário de R$ 15 mil para contratar um serviço de perfuração, e a esposa, Maria Luciene, alimentada pela esperança do recurso, fez um empréstimo de R$ 10 mil pouco tempo antes, com o objetivo de renovar o rebanho. A dívida ainda não foi paga.

“O terreno está parado. Se eles ao menos viessem dizer onde é seguro perfurar, já ajudaria muito. Em 48 hectares, não é possível que não haja água. Estávamos acreditando que eles fossem agilizar. A única coisa que podemos fazer é aguardar”, lamenta.

Com informações do Diário do Nordeste.