domingo, 24 de maio de 2026

Levantamento em Iguatu reúne denúncias de violência institucional e é reconhecido em mostra nacional

Foto Reprodução 
Uma pesquisa desenvolvida em Iguatu com trabalhadoras do SUS e estudantes universitárias da área da saúde reuniu relatos sobre violência institucional, assédio, discriminação e adoecimento emocional em ambientes de trabalho e formação acadêmica. O estudo, realizado dentro do PET Saúde Equidade, também resultou em reconhecimento nacional durante encontro promovido pelo Ministério da Saúde, em Brasília.

O levantamento ouviu profissionais da atenção primária, da rede de atenção psicossocial e estudantes dos cursos de Serviço Social, Enfermagem e Educação Física vinculados ao IFCE e à URCA. Ao todo, participaram 398 trabalhadoras da saúde e 128 estudantes na etapa de questionários. Nas rodas de conversa posteriores, participaram outras 94 profissionais e 22 universitárias.

Entre os relatos reunidos pela pesquisa aparecem episódios de machismo estrutural, assédio moral e sexual, racismo, etarismo e conflitos internos nas equipes de saúde. As participantes também apontaram sobrecarga de funções, desgaste físico e mental, além da ausência de canais considerados eficazes para denúncias e acolhimento.

No ambiente universitário, estudantes relataram episódios de assédio, preconceito racial, LGBTfobia e capacitismo. Também surgiram queixas sobre excesso de demandas acadêmicas, dificuldade de conciliar rotina pessoal e estudos e falta de suporte psicológico adequado nas instituições de ensino.

A pesquisa utilizou aplicação de questionários presenciais, observações em campo, rodas de conversa e levantamento de dados sobre os equipamentos de saúde do município. O material também resultou na criação de um banco de dados georreferenciado por meio da plataforma WebSIG.

O trabalho integrou as ações do PET Saúde Equidade de Iguatu, desenvolvido em parceria entre IFCE Iguatu, URCA Iguatu, Escola de Saúde Pública de Iguatu (ESPI) e Secretaria Municipal de Saúde. A coordenação geral foi conduzida pela assistente social Lili Holanda, da Educação Permanente em Saúde da ESPI.

A experiência intitulada “Pesquisa do Perfil das Trabalhadoras e Futuras Trabalhadoras do SUS em um município do Centro-Sul cearense: desigualdades, violências e interseccionalidades no território” foi uma das selecionadas para premiação nacional durante a Mostra de Experiências Exitosas do PET Saúde Equidade, realizada em Brasília no dia 13 de maio de 2026.

Uma das participantes da pesquisa foi a artesã Silvane Paulino, do CAPS. Ela relata que a experiência ajudou a ampliar o debate dentro dos próprios serviços de saúde. “Essas rodas e trilhas informativas fizeram muita gente enxergar situações que antes eram vistas como normais. A gente passou a conversar mais sobre respeito, saúde mental e sobre como acolher melhor quem trabalha e quem é atendido. O PET levou esse debate para dentro do serviço de saúde e isso abriu os olhos de muita gente”, afirmou.

Com informações do Jornal A Praça.1