sexta-feira, 1 de maio de 2026

Fortaleza usa nova tecnologia que ‘envenena’ mosquito da dengue

Foto Pixabay
Além do trabalho de rotina de monitoramento de depósitos de ovos e mutirões de limpeza, Fortaleza está intensificando o uso de inovações tecnológicas para combater o mosquito Aedes aegypti, vilão histórico da saúde pública da cidade por transmitir doenças como dengue, zika e chikungunya

O coordenador de Vigilância em Saúde (Covis) da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Josete Malheiro, destaca que a grande novidade para 2026 é a implementação das Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs), ferramenta que promete mudar a dinâmica do controle vetorial na capital cearense.

Segundo o coordenador, a estratégia realizada em parceria estratégica com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) representa uma abordagem arrojada. A montagem das armadilhas químicas já começou neste mês de abril, segundo o gestor.

O funcionamento da EDL é simples, mas engenhoso, e utiliza o comportamento do inseto contra ele próprio. Diferente das armadilhas tradicionais, conhecidas como ovitrampas – palhetas que fixam os ovos postos e servem para monitorar a densidade dos mosquitos em uma região –, a EDL possui uma tela impregnada com larvicida.

O processo ocorre em etapas: atraído pela armadilha, o mosquito fêmea pousa na tela com a intenção de depositar seus ovos e, nesse momento, suas patas ficam cobertas por micropartículas do veneno.

Ao voar para outros criadouros, muitas vezes em locais de difícil acesso para os agentes de endemias, como calhas e reservatórios elevados, o mosquito transporta e deposita o larvicida nesses novos pontos.

Malheiro explica que, quando o ovo tenta eclodir nesses locais contaminados, “ele acaba não formando, não se desenvolvendo adequadamente e acaba reduzindo, portanto, a proliferação do mosquito”.

Segundo a Fiocruz, ensaios realizados em Manaus e Manacapuru, no Amazonas, mostraram que as EDLs promoveram aumento da mortalidade de mosquitos imaturos (de 5% para 95%) e uma redução de 96-98% da emergência de mosquitos adultos, em poucas semanas. Já em Brasília, outros estudos mostraram redução de 66,3%, na densidade de mosquitos adultos de Aedes.

Com informações do Diário do Nordeste.