segunda-feira, 25 de maio de 2026

Casal adota adolescente de 16 anos e desafia preconceitos no Ceará

Foto Fabiane de Paula.
"Era para ser ele". É assim que Vanessa Pinheiro, de 28 anos, descreve a jornada dela e do companheiro, Talvany Pinheiro, de 34, para adotar o primeiro filho: um adolescente chamado João, hoje com 17 anos, que já havia perdido a esperança de encontrar um lar. A história dessa família não começa com um exame de gravidez positivo, mas em uma quadra esportiva de uma instituição de acolhimento em Fortaleza.

Mesmo sendo saudável e tendo a possibilidade de engravidar, a adoção era um desejo do casal de corretores de imóveis desde o início do relacionamento, que já dura 12 anos. Então, em outubro de 2024, os dois entraram na fila do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA). A princípio, eles buscavam por uma criança com idade de 0 a 6 anos, que é o perfil mais desejado entre os pretendentes ativos no Ceará, conforme o SNA.

Inclusive, é a imagem de um casal adotando um bebê ou uma criança jovem que alimenta o imaginário popular, embora a faixa etária corresponda a apenas 24,4% das crianças disponíveis para adoção no Estado. Contudo, em maio do ano passado, Vanessa e Talvany abriram mão do perfil para adotar um adolescente, juntando-se à minoria de pretendentes que querem acolher algum dos 69 jovens com mais de 14 anos que estão nos acolhimentos cearenses.

Para isso, enfrentaram o estigma envolvido na adoção tardia. “O preconceito sempre vai existir, seja criança ou mais velho, mas nunca tivemos medo”, enfatiza a corretora ao Diário do Nordeste, ressaltando a importância de desmistificar a ideia de que esses adolescentes “têm o caráter formado”. “O meu filho é um menino extremamente carinhoso, amoroso e altamente inteligente. Era muito carente, esperou por uma família e não tinha esperança”, detalha.

Com informações do Diário do Nordeste.