quarta-feira, 22 de abril de 2026

Nova secretária da Educação do Ceará prevê mudanças no Spaece e quer tempo integral nas 184 cidades

Foto Fabiane de Paula
Uma egressa da escola pública e filha de pescador agora ocupa o principal cargo da educação no Ceará. Desde 10 de abril, a professora Jucineide da Costa Fernandes, natural de Icapuí, no Litoral Leste, está à frente da Secretaria Estadual da Educação (Seduc), onde já atuava desde 2021 como secretária executiva de Ensino Médio e Profissional. 

Ela assumiu a pasta em um cenário marcado por avanços e desafios acumulados nas últimas décadas, em um ano eleitoral e com uma meta central já delimitada e em andamento: universalizar o ensino em tempo integral, ampliando a jornada em pelo menos 682 escolas da rede.

Jucineide hoje lidera uma secretaria responsável por 766 escolas, das quais mais de 530 já funcionam em tempo integral. Esse conjunto reúne diferentes modelos:

Escolas de tempo integral (sem formação profissionalizante);

Escolas de educação profissional (que une ensino médio à formação técnica);

Escolas do campo;

Escolas militares; e
Escolas quilombolas.

Todas adotam a permanência dos estudantes em dois turnos, com jornadas diárias que variam entre 7 e 9 horas.

Antes de assumir o comando da Seduc, onde era considerada a “número 2” da gestão, Jucineide construiu uma trajetória na própria rede estadual. Professora efetiva desde 2004, iniciou a carreira na Escola de Ensino Médio Gabriel Epifânio dos Reis, em sua cidade natal, onde também cursou toda a educação básica na escola pública.

Em entrevista ao Diário do Nordeste, na última sexta-feira (17), Jucineide falou sobre temas urgentes na educação do Brasil e do Ceará, e que em 2026 devem ser alvo de mudanças, como o avanço da universalização do tempo integral no Estado, uma promessa do atual governo; a formulação do Plano Estadual de Educação (PEE), que norteará os rumos da área na próxima década no Ceará; e o concurso para professores na rede estadual.

Ela também tratou das atualizações amplamente demandadas em avaliações externas, como o Sistema Permanente de Avaliação da Educação Básica do Ceará (Spaece) - da rede estadual - e o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) - do Governo Federal, que medem e indicam a qualidade do ensino ofertado no Estado.

A secretária também respondeu sobre os preparativos para tornar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), um componente dessa avaliação, além de porta de entrada na universidade, conforme proposto pelo governo Lula.

Como meta, a secretária aponta encerrar o ano com o novo PEE aprovado, já que o atual vale até o fim de 2026; garantir a construção e entrega de mais de 100 escolas de tempo integral, fazendo com que cidades como Barreira, Pindoretama e Tururu, que hoje não têm nenhuma escola do tipo na rede estadual, passem a ter.

É uma gestão de continuidade, reitera, e é da própria trajetória que ela acredita ter a consciência necessária para a tomada de decisão. “Eu compreendo não só na teoria mas na prática, a importância da educação para a mobilidade social, para a garantia de oportunidades”, reforça.

Com informações do Diário do Nordeste.