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| Foto Divulgação |
Apesar de o Brasil manter uma posição de liderança no mercado global de café, o cenário atual exige uma articulação maior entre pesquisa, produção e políticas públicas. Esse foi o eixo central do debate “Mercado brasileiro do café: perspectivas, desafios e oportunidades”, promovido pela Rede de Socioeconomia da Embrapa, na semana passada.
No evento, moderado pelo chefe-geral da Embrapa Café, Rodolfo Osorio de Oliveira, a pesquisadora Rita de Cássia Milagres Teixeira Vieira apresentou um estudo elaborado a partir da integração de bases de dados nacionais e internacionais — como a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o sistema de estatísticas de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Comex/MDIC) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) —, combinando séries históricas e dados atualizados para construir uma análise abrangente do mercado de café.
Os números apresentados por ela indicam que a produção mundial de café vem crescendo de forma consistente nas últimas décadas, passando de cerca de 8,5 milhões para 11,6 milhões de toneladas entre 2010 e 2024. No mesmo período, o consumo global acompanhou esse movimento, com alta de aproximadamente 44%, saindo de 8 milhões para 11,7 milhões de toneladas.
O Brasil se mantém como principal produtor mundial, com ampla vantagem sobre países como Vietnã, Indonésia e Colômbia. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento indicam produção estimada em cerca de 66 milhões de sacas em 2026. “Mas, apesar dessa liderança, a produtividade média brasileira ainda é inferior à de alguns concorrentes. Enquanto a China registra rendimento de 3.744 kg por hectare e o Vietnã ultrapassa os 3 mil kg/ha, o Brasil apresenta média de 1.752 kg/ha”, alertou Rita.
Nesse sentido, o levantamento sugere que o aumento da produtividade no Brasil depende de uma combinação de fatores, como inovação tecnológica, adaptação genética, sustentabilidade e melhor uso da informação. Rita destacou, por exemplo, a necessidade de uma reconfiguração varietal, com maior atenção ao café canéfora que, segundo ela, é um material mais produtivo e mais resiliente às mudanças climáticas, o que o torna estratégico para elevar o rendimento médio da cafeicultura brasileira.
Rita assinalou, ainda, a incorporação de inteligência artificial, agricultura de precisão e automação como ferramentas capazes de melhorar o manejo, otimizar recursos e aumentar a produtividade das lavouras.
A pesquisadora também enfatizou a importância da rastreabilidade e do controle de qualidade, com apoio de tecnologias como blockchain. “Embora esse ponto esteja associado às exigências de mercado, ele também contribui para organizar a produção e induzir melhorias nos sistemas produtivos”, disse.
Com informações do Governo Federal.
