terça-feira, 24 de março de 2026

Agricultor que encontrou possível petróleo no interior do Ceará estranhou material que jorrou no quintal e fez teste caseiro

Foto Gabriela Feitosa/g1
O agricultor Sidrônio Moreira, de Tabuleiro do Norte (CE), que encontrou uma possível jazida de petróleo ao perfurar dois poços artesianos em seu quintal, conta que estranhou o líquido preto que jorrou do terreno e fez um 'teste' caseiro para saber do que se tratava.

Acreditando que encontraria água, o cearense pediu um empréstimo de R$ 15 mil ao banco para cavar dois poços e resolver um problema antigo na região: falta de água encanada em casa. No lugar, achou um material denso, viscoso e com cheiro de combustível. O caso iniciou em novembro de 2024.

A uma equipe do g1 que visitou o Sítio Santo Estevão, onde Sidrônio mora com a família, ele disse que nunca viu material semelhante e ficou triste por não ter encontrado fonte de água própria:

"Começou a jorrar esse material preto, uma piçarra. Não encontrei água, encontrei esse material. Quando puxou o óleo, e colocaram em uma vasilha, eu cheirei e disse : É óleo mesmo'. Peguei um pouco, levei acolá, botei [fogo] e o bicho incendiou. Água não pega fogo, é óleo mesmo" , descreveu Sidrônio.

O agricultor relembra que às vezes ouve um barulho muito alto, parecido com um "estrondo" ou um "trovão", vindo do local onde o material foi achado. O barulho assusta a família e até os animais do sítio, que correm com medo.

Após o primeiro contato, um dos filhos do agricultor decidiu levar o caso para o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), que tem um campus em Tabuleiro do Norte.

Em 2025, testes laboratoriais feitos pelo instituto apontaram que o líquido encontrado pelo agricultor tem as mesmas características físico-químicas do petróleo de jazidas da região vizinha da Bacia Potiguar, no Rio Grande do Norte.

Desde então, o caso passou a ser investigado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Enquanto aguarda o laudo do órgão, a família segue com problemas de acesso à água, e não há prazo para resposta definitiva do órgão.

"Segue com o problema da água, porque depois que descobriu isso, não mexi mais no solo de jeito nenhum. Tava 'doido' que resolvessem isso aí. O que interessa é agua (..) Não quero riqueza, quero apenas sobreviver", reforça Sidrônio.

Com informações do G1 Ceará.