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| Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil |
Convido você a imaginar a seguinte cena: são 23h de um dia qualquer da semana. É hora de retornar do trabalho depois de um dia cansativo. O ônibus está demorando mais do que o normal, não tem mais ninguém esperando na mesma parada. Um carro se aproxima. Dentro dele apenas um motorista, homem, que abaixa o vidro e diz: “você trabalha aí no shopping também? Tá precisando de uma carona? Posso te levar até o terminal. Entra aí!” (sic).
Você que é mulher e leu pode ter pensado "de cara": “melhor não entrar, vai que ele me estupra no meio do caminho?”. Se você é homem, dificilmente leu e temeu ser vítima de um crime sexual, mas pode ter cogitado: “e se for um assalto ou um sequestro?”.
Essa diferença de pensamentos, em que as mulheres temem de forma constante a ocorrência de crimes sexuais, está explicitada na pesquisa "Mulher Coragem". O documento, dentre outros temas, revela que o medo de violência sexual supera os demais tipos de violência entre as mulheres cearenses.
Como parte do Projeto Elas, o Diário do Nordeste publica neste mês o especial “Mulher Coragem”, série de reportagens baseadas nos resultados da pesquisa de opinião “Os medos e demandas das mulheres cearenses por segurança”, encomendada pelo jornal ao Instituto Patrícia Galvão e executada pelo instituto Ipsos-Ipec, com o patrocínio da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece).
O Ipsos-Ipec ouviu 2.032 meninas e mulheres de 16 anos ou mais de idade, moradoras de 77 municípios cearenses, entre os dias 1º e 14 de outubro de 2025. Os dados apontam os principais medos das mulheres: 61% temem sofrer violência sexual (assédio, toques sem consentimento, importunação sexual ou estupro), 47% temem violência física (agressão, empurrão, tapa ou espancamento), seguido de 43% que também disse temer a violência psicológica, como ameaças, xingamentos, ofensas, bullying, assédio moral ou isolamento.
Conforme a pesquisa, mulheres do Ceará têm mais medo de violência sexual (nas ruas) do que da violência patrimonial (quebra de objetos, furto/roubo, retenção de documentos por pessoas fora de suas relações íntimas/familiares), situação mencionada por 11% das entrevistadas.
O temor da violência sexual é particularmente acentuado entre as jovens: 78% das mulheres de 16 a 24 anos temem sofrer esse tipo de violência. O percentual decresce com a idade. E quanto maior a renda familiar, maior o medo.
“O medo de sofrer algum tipo de violência é generalizado no Ceará e permeia a vida de praticamente a totalidade das mulheres que vivem no Estado”, informou o estudo.
Com informações do Diário do Nordeste.
