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| Foto Divulgação |
Quarenta empresários da agropecuária do Ceará reuniram-se na última segunda-feira, 23, e passaram em revista a economia estadual, tendo como ponto de partida o Plameg – Plano de Metas Governamentais, o primeiro grande modelo de gestão elaborado e estruturado para o governo cearense.
Naquela época, idos de 1963, o Plameg, imaginado pela brilhante inteligência do então governador Virgílio Tavora, já colocava foco na industrialização, alicerçada por duas indústrias de base – uma refinaria de petróleo e uma siderúrgica para alimentar o setor metal mecânico que nascia com vocação para o rápido crescimento.
O tempo passou. No lugar de Virgílio Távora (VT) vieram outras gestões que olvidaram as metas do Plameg. Em 1987, porém, chegou ao governo o jovem Tasso Jereissati, que, com 36 anos de idade, oriundo da iniciativa privada, reuniu a melhor inteligência do Ceará para, como VT, elaborar um novo plano estratégico de desenvolvimento para o Ceará.
De pronto, ficou claro que, antes da refinaria e da siderúrgica, seria necessário criar uma infraestrutura capaz de suportar esses empreendimentos. Aí nasceu o projeto de construção do Porto do Pecém, pois o terminal marítimo que havia, o do Mucuripe, era pequeno, acanhado, de pouco calado, o que limitava os sonhos de fazer do Ceará um polo industrial moderno. Simultaneamente, nasceu, também, o projeto de um novo aeroporto, pois o existente causava vergonha.
Hoje, os cearenses estão cientes de que o Ceará é outro e de que mudaram suas aspirações e seus sonhos, que se sofisticaram, e com razão: sua fruticultura é a maior produtora e exportadora mundial de melão por meio da Agrícola Famosa e da Itaueira Agropecuária; sua carcinicultura, liderada pela Samaria Camarões, é a maior produtora de camarão do país, e está pronta para exportar para os países da Europa, tão logo comece a vigorar na prática o Acordo Mercosul-União Europeia; sua indústria metalúrgica, destacadamente a Durametal, fabrica e exporta rodas e tambores de freio para as grandes montadoras de automóveis do Brasil e da Europa, sendo, ainda, por meio da Esmaltec, do Grupo Edson Queiroz, líder do mercado nacional de fogões; na indústria de alimentos, o Ceará domina mais de um terço do mercado brasileiro de massas e biscoitos, por meio de M. Dias Branco.
(Quem quiser saber mais sobre o que faz, como faz e para quem faz a indústria do Ceará deve visitar a primeira Feira da Indústria Fiec, que se realizará nos dias 9 e 10 do próximo mês de março, no Centro de Eventos.)
Durante a reunião de segunda-feira passada, os 40 agropecuaristas cearenses não esconderam sua preocupação com o futuro próximo da economia do estado. E levantaram algumas questões graves, a primeira das quais tem a ver com a Reforma Tributária, que marcou para o muito próximo ano de 2032 o fim dos incentivos fiscais. Nesse momento da reunião, uma voz se fez ouvir de modo tonitruante, até assustador:
“Os incentivos fiscais trouxeram para o Ceará algumas das grandes empresas do país, como a maior do setor calçadista, a gaúcha Grendene, dos irmãos Pedro e Alexandre Grendene. Havia até pouco tempo, ela empregava 25 mil pessoas; hoje, a Grendene emprega apenas 8 mil pessoas. Há uma pergunta que não quer calar: o que será da cidade-sede e do município de Sobral sem a Grendene?”
Todos na sala se entreolharam. E fez-se um profundo silêncio, que se ampliou quando a mesma voz disse que os problemas da distribuição de energia elétrica existentes hoje em todo o Ceará não serão solucionados, “pois a Enel não cumprirá o seu plano de investimento de mais de R$ 7 bilhões prometido pela sua direção cearense, e por um motivo: a Enel é uma estatal italiana, cujo comando mandou que suas empresas façam um grande esforço para aumentar a receita do grupo, e a Enel Ceará faz parte desse esforço”.
Mas ao fim das duas horas de reunião, os agropecuaristas deram-se por satisfeitos porque, segundo a análise de cada um, o setor, do ponto de vista empresarial, amadureceu e hoje está preparado para enfrentar os desafios, incluindo os causados pela divina natureza
Com informações do Diário do Nordeste.
