sábado, 3 de janeiro de 2026

Concorrência chinesa cresce e ameaça a indústria têxtil brasileira

Foto: Kostikova Natalia / Shutterstock.
Fernando Valente Pimentel, diretor-superintendente e presidente emérito da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), elaborou, especialmente para esta coluna, o texto abaixo, que é uma profunda reflexão a respeito da crise por que atravessa, e já faz algum tempo, a indústria nacional, principalmente do setor que ele representa. As importações da China têm crescido, e os produtos chineses chegam aqui “em geral a preços incompatíveis com custos normais de fabricação”.

De acordo com Pimentel, em muitos casos, essas práticas configuram dumping, e isto causa um grave prejuízo à indústria brasileira. Pelo seu importante conteúdo, pela oportunidade e por ser o texto uma tempestade de informações e comentários que deixarão bem-informados os que o lerem, a coluna publica-o na íntegra, a seguir:

“A indústria mundial atravessa um dos momentos mais complexos das últimas décadas. Não se trata apenas de ciclos econômicos, avanços tecnológicos ou transições ambientais. O que está em curso é um desequilíbrio estrutural da produção global do setor, impulsionado principalmente pela sobrecapacidade da indústria chinesa, cuja escala fabril ultrapassa em muito sua própria capacidade de consumo interno.

“A China construiu, ao longo de muitos anos, um parque industrial robusto, altamente integrado, apoiado de modo muito forte pelo Estado e orientado por uma estratégia exportadora. Hoje, produz muito além do que seu consumo doméstico é capaz de absorver. O excedente é direcionado aos mercados internacionais, em geral a preços incompatíveis com custos normais de fabricação. Em muitos casos, são práticas que se aproximam ou configuram dumping, com efeitos profundos sobre a competitividade industrial global.

Com informações do Diário do Nordeste.