sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Fiocruz relata o primeiro caso raro de encefalite associada à infecção por zika no Brasil

Foto Natee Meepian/Shutterstock/Arquivo
Publicado na revista científica Viruses, um estudo conduzido por pesquisadores da Fiocruz Bahia descreve o primeiro caso documentado no Brasil de encefalite do tronco encefálico — também conhecida como rombencefalite — associada à infecção pelo vírus zika. O registro foi publicado no site da instituição na última terça-feira (22).

O registro reforça o potencial neuroinvasivo do patógeno, já conhecido por causar complicações como a síndrome de Guillain-Barré e a síndrome congênita em recém-nascidos durante o surto de 2015.

A paciente, uma jovem de 21 anos, previamente saudável, apresentou inicialmente sintomas leves típicos de infecção viral, como febre, erupção cutânea e dores articulares.

Sete dias depois, evoluiu com sinais neurológicos graves — confusão mental, dificuldade para falar e caminhar, convulsões e paralisia facial — indicativos de comprometimento do tronco encefálico.

Os exames laboratoriais descartaram outros vírus, como dengue e chikungunya. Embora os testes moleculares (RT-PCR) tenham sido negativos, a infecção por zika foi confirmada por meio de sorologia (ELISA IgM) e teste de neutralização por redução de placas (PRNT), método considerado padrão para detecção do vírus.

A paciente recebeu tratamento com corticosteroides e antiepilépticos, apresentando melhora significativa após 25 dias de internação. Atualmente, nove anos após o episódio, encontra-se plenamente funcional, com apenas sintomas residuais leves, como cefaleia e lapsos de memória.

Com informações do Diário do Nordeste.