quinta-feira, 2 de outubro de 2025

Cerâmica do Ipu é reconhecida como patrimônio cultural do Ceará

Uma técnica feita no Ceará há cerca de 5 séculos foi oficialmente reconhecida como "Bem de Destacada Relevância Histórica e Cultural do Estado do Ceará": a produção de cerâmicas artesanais pela Comunidade da Alegria do município Ipu. A decisão está na Lei Nº19.458, sancionada pelo governador Elmano de Freitas e publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) em setembro.Foto Reprodução/Instagram

Técnica realizada especialmente por artistas mulheres, a obra de barro ornamentada carrega, entre os vãos esculpidos pelas chamadas ceramistas, marcas de saberes ancestrais e reminiscências do território ipuense, uma vez que suas raízes remontam aos séculos XVI e XVII, quando estes utensílios e objetos cerimoniais feitos a partir do barro eram cunhados pela Comunidade da Alegria.

A Comunidade da Alegria, uma das protagonistas locais no manuseio da cerâmica, trabalha sua arte a partir de elementos da natureza serrana e da cultura interiorana. O grupo se desenvolve na região desde a colonização de Ipu, quando as cerâmicas eram produzidas tanto nas chamadas casas-grandes como para residências de menor poder aquisitivo.

Atualmente, a atividade sustenta cerca de 15 famílias na comunidade. Em um galpão coletivo, 12 mulheres são responsáveis pela produção e comercialização das peças, enquanto os homens atuam em tarefas mais braçais, como a coleta do barro e da lenha utilizada na queima.

Franciner Fortuna, 65, artesã nascida e criada na Comunidade da Alegria, trabalha com cerâmica desde os 10 anos de idade. “Minha mãe me colocava para amassar o barro e modelar as peças”, lembra. Na perspectiva de quem passa por todos os processos de feitura de peças de cerâmica, ela pensa que essa produção é algo “muito trabalhoso, muito pesado… Só trabalha mesmo quem tem coragem. Quem não tem, não se mete não”.

Atravessando gerações de avós, mães e netas, as técnicas de produção mudaram para maior resistência e durabilidade das cerâmicas, mas seguem conservando design rústico e original das peças com cearensidade na veia.

A partir do apoio e fortalecimento institucional implicados pela sanção da lei, a valorização dos saberes populares e a visibilidade da cultura local são alcançadas neste processo, bem como abre janelas de oportunidade para a comunidade.

O professor do Departamento de Geografia da UFC, Tiago Cavalcante, lembra que, a partir deste marco legislativo, a comunidade ipuense Alegria passa a fazer parte da chamada “geografia do patrimônio cultural cearense”.

Com informações do Diário do Nordeste.