sexta-feira, 5 de setembro de 2025

Cearense de 12 anos lança livro sobre autismo e o poder da amizade

Foto Arquivo pessoal
Desde muito cedo, o pequeno João Sasaque dava sinais de que seria um leitor voraz: aprendeu a ler sozinho, aos três anos, e desde então não parou mais de devorar histórias, uma atrás da outra, às vezes várias ao mesmo tempo. Também descobriu logo que amava escrever e desenhar, inspirados pelos livros que os pais, Ana Paula e Messias, lhe davam de presente.

Muitos se tornaram especiais, mas um deles teve destaque na estante e na trajetória de João. Quando, durante um passeio no shopping, Ana Paula decidiu apresentar ao primeiro livro da série de livros infantis “Diário de um Banana”, do estadunidense Jeff Kinney – que conta as aventuras e desventuras de um menino e sua turma de amigos –, ela não tinha dimensão da importância que aquele grupo de personagens teria na vida do filho.

“Ele achou o máximo a história, e eu falei ‘que tal escrever algo? Que tal você fazer algo de você, você falar de você ou de algo que você goste?’. A partir daí, ele começou a criar”, conta a mãe, orgulhosa. Pouco tempo depois, João se inspiraria em Kinney e em grandes artistas brasileiros, como Maurício de Sousa e Ziraldo, para dar início a sua própria série de quadrinhos, tendo como protagonista Fernando, um menino de 11 anos que vive suas próprias histórias divertidas com a família e os amigos.

O primeiro livro escrito por João, “O dia em que Fernando teve azar”, foi publicado pela editora Ases da Literatura neste mês e dá início à série “Turma do Fernando”. O segundo volume e uma edição especial do projeto já estão sendo produzidos pelo jovem talento.

O “nascimento” de Fernando, que carrega uma série de características baseadas na personalidade de João, tornou-se ainda mais especial porque, em paralelo à descoberta das artes, João e a família tiveram outra revelação: o diagnóstico de autismo do menino, que veio quando ele tinha seis anos de idade e trouxe junto uma série de desafios.

Foi justamente na tentativa de driblar as dificuldades de comunicação e coordenação motora do filho – estas últimas causadas por uma condição chamada dispraxia –, que Ana Paula decidiu que a resposta seria investir cada vez mais no incentivo à leitura, que tinha se tornado um hiperfoco de João.

“Tinham dias na nossa casa que eram 10, 15, 20 livros espalhados no chão, porque ele adorava ler”, conta Ana Paula. Por um tempo, as dificuldades físicas impediram que João desse vazão à criatividade; mas com o acompanhamento de uma arteterapeuta e uma psicopedagoga no Iprede, ele conseguiu desenvolver a coordenação motora e as habilidades artísticas.

“As características que o Fernando e eu dividimos são a encrenca e a bagunça, porque somos bagunceiros”, brinca João. “Outra semelhança é enfrentar os desafios [que temos] como autistas”, ressalta.

Com informações do Diário do Nordeste.