segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Artista do interior do Ceará se destaca ao unir sons relaxantes, xote e forró

Foto Reprodução/YouTube
Nos últimos anos, o Lo-Fi – estilo de música instrumental caracterizado por beats relaxantes, com poucas batidas por minuto, e produções caseiras – se tornou tendência no Brasil e no mundo, impulsionado pelo aumento no consumo de playlists e lives com músicas para relaxar, estudar ou trabalhar na pandemia.

Em 2021, estimulado pela comunidade on-line que se formava em torno do gênero, Abraão Rodrigo Melo, um jovem músico de Pedra Branca, no Sertão Central do Ceará, decidiu inovar e criar um lo-fi diferente. No lugar da inspiração no hip hop, começou a unir beats autorais e elementos de ritmos nordestinos, como xote, baião e forró, tendo como referências grandes nomes como Luiz Gonzaga e Dominguinhos. Assim surgia, a partir de uma guitarra antiga e um software simples, o lo-fi nordestino.

Desde então, Abraão, hoje com 25 anos, atende pelo nome Seuab, nome escolhido para representar seu projeto musical. Atualmente, ele conta com quase 45 mil ouvintes mensais só no Spotify, plataforma onde tem maior público. Por lá, só o EP “Alumiar”, lançado no ano passado, ultrapassou 1,2 milhão de streams no Spotify, impulsionado pela inclusão do artista em diversas playlists dedicadas ao lo-fi.

Em entrevista ao Verso, o artista conta que começou a se interessar por música, como muitos cearenses, através do forró. Por volta dos 11 anos, começou a estudar violão numa escola de música de Pedra Branca e logo entrou para a banda do professor, cujo repertório era composto principalmente por sucessos do forró pé de serra. Em casa, aproveitava para seguir "tocando" uma guitarra de madeira, presente feito pelo pai.

Foi só na adolescência, no entanto, que conheceu o lo-fi. Já entusiasta do hip hop, começou a se interessar pelo gênero e pela produção musical por volta de 2016, quando descobriu um software que permitiu que explorasse seu lado beatmaker.

“Fui aprendendo vendo coisas na internet, eu mesmo ali na prática, mexendo”, conta. Na época, a ideia era brincar, se divertir. Mas o gosto pela música, presente desde a infância, foi se afinando e se apresentando como vocação.

“Já era uma coisa que me agradava mesmo, eu curtia muito a sonoridade. E isso de ser uma gravação que não tinha essa necessidade de ter uma grande qualidade de estúdio também já abria um espaço para ‘ah, então eu posso gravar aqui, do meu jeito’”, lembra.

Com informações do Diário do Nordeste