segunda-feira, 28 de julho de 2025

Projeto de busca ativa leva 25 mil crianças de volta às escolas no Ceará, mas 37 mil ainda estão fora

Foto Helene Santos
Falta de transporte, de estrutura, de interesse, violência no território, gravidez. É extensa a lista de motivos que mantêm cerca de 37 mil crianças e adolescentes fora da escola no Ceará. Na contramão, o projeto Busca Ativa Escolar (BAE) conseguiu levar quase 25 mil meninos e meninas cearenses de volta aos estudos, entre 2017 e 2025.

A estratégia foi desenvolvida pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e pela União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), com o intuito de auxiliar estados e municípios no combate à evasão e à exclusão escolar. Nesta segunda-feira (28), as instituições publicaram uma análise inédita sobre a exclusão escolar, o perfil das crianças e adolescentes fora da escola e as informações sobre a Busca Ativa Escolar.

No total, ao longo dos quase nove anos, 24.879 crianças e adolescentes do Ceará que estavam fora da escola ou em risco de evasão foram identificados e retornaram às salas de aula, de acordo com o Unicef. Foi o 4º melhor resultado do País, atrás apenas de Pará (38.891), Bahia (34.638) e Maranhão (33.784). Em todo o Brasil, foram mais de 300 mil alunos.

Os números se referem à quantidade de rematrículas registradas pelos estados e municípios na Plataforma da Busca Ativa Escolar. Também são mapeados os principais motivos pelos quais os cearenses de 4 a 17 anos de idade não estão estudando, mesmo sendo a faixa etária escolar obrigatória.

A principal justificativa identificada foi a evasão do aluno por desinteresse pelos estudos: quase 9 mil cearenses deixaram as salas de aula por isso. A segunda razão mais frequente foi a mudança de domicílio, viagem ou deslocamentos frequentes, seguida pelo desinteresse na escola em si.

Além desses, motivos como doenças e deficiências, falta de infraestrutura escolar, trabalho infantil, gravidez na adolescência, discriminação e múltiplos tipos de violência (escolar, familiar, sexual e territorial) também levam estudantes para longe das salas de aula.

A Busca Ativa Escolar foi criada com apoio do Colegiado Nacional de Gestores Municipais de Assistência Social (Congemas) e do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) para apoiar estados e municípios a enfrentarem a exclusão escolar, por meio da identificação e do acompanhamento de estudantes fora da escola ou em risco de evasão.

A estratégia reúne representantes de diferentes áreas — como educação, saúde, assistência social e planejamento. Os profissionais atuam em frentes diversas, desde a identificação desses estudantes até a adoção das medidas necessárias para que eles sejam atendidos nos diversos serviços públicos, façam a rematrícula e permaneçam na escola.

Além dessa articulação, a estratégia conta com uma plataforma que facilita a comunicação entre as áreas e armazena informações importantes sobre os casos acompanhados.

“A exclusão escolar é um desafio multifatorial, e a resposta a ela também precisa ser. Com a Busca Ativa Escolar, gestores e equipes têm acesso a dados e conseguem promover uma atuação intersetorial, saber quem são essas crianças e adolescentes, por que estão infrequentes ou fora da escola e, a partir disso, agir”, explica a chefe de Educação do Unicef no Brasil, Mônica Dias Pinto.

Com informações do Diário do Nordeste.