O bancário aposentado Francisco de Assis Mendes, 66, se recupera bem em casa, depois do susto que viveu na noite do dia 3 de março (segunda-feira de Carnaval), num restaurante de Iguatu, quando se engasgou com a própria comida e ficou por cerca de seis minutos desacordado e sofreu parada cardiorrespiratória. Mendes estava jantando no restaurante Vila da Telha com a esposa Terezinha, a filha Natalya e o genro Emídio Rocha, médicos, quando tudo aconteceu.
Francisco de Assis ainda estava na mesa no jantar quando se engasgou com um pedaço de carne e já sem fôlego levantou e se dirigiu ao banheiro. Foi o garçom Luciano quem primeiro visualizou o aposentado caído no acesso ao toalete e pediu ajuda. Numa mesa próxima estava o subtenente Viana, que percebeu quando o homem caminhou até o sanitário com sinais vitais comprometidos. Viana foi até onde estava o aposentado e ofereceu ajuda.
Os primeiros socorros foram prestados pelo médico Emídio Rocha, seu genro, e pelo subtenente Viana, militar do BEPI-Batalhão Especializado em Policiamento no Interior. Adalto, um personal trainer que estava saindo do banheiro, e viu o homem caído ajudou no socorro. Primeiro o médico fez a manobra de Heilinch, pressionando cinco vezes a área do estômago, na tentativa de desobstruir a entrada de ar dos pulmões, mas sem sucesso. Então eles passaram a usar outra estratégia com a vítima deitada numa sequência de 32 x 2 (32 compressões no epigástrico, região conhecida como ‘boca do estômago’ por duas insuflações de ar na boca da vítima). Depois Viana substituiu as insuflações da boca pelo nariz, foi quando a vítima deu o primeiro sinal de respiração após seis minutos.
Com os primeiros sinais vitais funcionando o aposentado foi atendido pela equipe do SAMU, que conseguiu fazer o transporte para a emergência do Hospital Regional de Iguatu, aonde outra batalha pela vida do aposentado foi travada pelos médicos que estavam de plantão.
Dr. Arthur Carvalho era um dos médicos plantonistas e relatou que o paciente chegou “com rebaixamento de nível de consciência, em uso de alto fluxo de oxigênio” sendo necessária a intubação orotraqueal para proteção de via aérea, onde foi visualizada grande quantidade de bolo alimentar em cavidade oral, sendo removida em parte. Segundo ele, o paciente evoluiu com hipotensão refratária a uso de drogas vasoativas até o momento da transferência para o Hospital São Vicente, já pela madrugada da terça-feira, 4/3. De acordo ainda com Arthur Carvalho, “devido ao estado que foi recebido, gravíssimo, e sua expressiva evolução clínica, pode se classificar como um verdadeiro milagre presenciado por todos que fizeram parte de seu atendimento inicial”, frisou.
O médico Roberto Mendonça, que também estava de plantão no HRI, relatou que o paciente chegou por volta das 21h20 respirando, mas com quadro clínico grave. Mendonça informou que administrou medicação intravenosa para manter o funcionamento do coração. De acordo com informações, naquela noite todos os leitos de UTI do HRI estavam ocupados, mas a equipe qualificada conseguiu manter o paciente vivo às custas de drogas em alta dose que mantinham o coração funcionando e o ‘ambu’, um tipo de ventilação manual.
“O que me causa gratidão, como cirurgião, não foi o fato de puncionar a veia profunda embaixo da clavícula do paciente, mas perceber que todo o sistema público e complementar, além do SAMU, conseguiu, mesmo com sobrecarga e num horário tão desafiador, deixar o paciente em condições de receber o verdadeiro milagre que foi uma recuperação totalmente sem sequela”, frisou.
O que os médicos temiam eram as sequelas que poderiam ficar por causa do tempo em que a vítima ficou desacordada sem respirar, na fase da parada cardiorrespiratória e a quantidade de sobra de comida que foi parar nos pulmões uma vez que a vítima bronco-aspirou alimentos quando vomitou no momento em que estava sendo reanimado e isto poderia em tese causar infecções.
O médico Emídio lembrou que um milagre aconteceu pelo fato de a vítima não ter ficado com nenhum dano cerebral que o levasse ao estado vegetativo. De acordo com o profissional, os danos cerebrais podem ser irreversíveis quando alguém passa seis minutos sem respirar, uma vez que o cérebro não está recebendo oxigênio e o máximo de tempo que o órgão pode ficar sem oxigenação para não deixar sequelas é de cinco minutos.
A parada cardiorrespiratória (PCR) é uma situação de emergência que pode levar à morte em poucos minutos. Ocorre quando o coração para de bater e a pessoa para de respirar. Foi o que aconteceu naquela noite com Francisco de Assis Mendes. Em determinado momento a porção de comida que ele ingeriu, ao invés de ir para o esôfago que leva ao estômago, foi pelo lado oposto e obstruiu a passagem de ar do pulmão, fazendo com que a vítima ficasse desacordada evoluindo para a consequente parada cardiorrespiratória.
No processo de deglutição o alimento é empurrado pela língua para a ‘faringe’, que leva ao esôfago e segue para o estômago. Quando ocorre de o alimento ir para a ‘laringe’ obstrui a passagem de ar e a vítima pode morrer em poucos minutos se não ocorrer o socorro rápido. Mesmo sobrevivendo, dependendo do tempo que durar a parada respiratória as sequelas podem ser graves e irreversíveis conduzindo o paciente para um estado vegetativo, por causa das lesões causadas no cérebro, resultado do tempo em que o órgão ficou sem receber oxigênio.
Emídio lembrou que um milagre aconteceu pelo fato da vítima não ter ficado com nenhum dano cerebral que o levasse ao estado vegetativo. De acordo com o profissional, os danos cerebrais podem ser irreversíveis quando alguém passa seis minutos sem respirar, uma vez que o cérebro não está recebendo oxigênio e o máximo de tempo que o órgão pode ficar sem oxigenação para não deixar sequelas é de cinco minutos.
Dr. Emídio ressaltou que um conjunto de ações favoráveis aconteceu naquela noite. O garçom Luciano que visualizou o aposentado caído na entrada do banheiro e avisou aos presentes, o subtenente Viana que percebendo a gravidade do quadro se apresentou voluntariamente para ajudar e foi decisivo na ressuscitação da vítima, a médica Natalya, filha da vítima, que acionou o Samu usando um linguajar técnico, “parada no Vila da Telha, preciso de uma ambulância urgente”, o que foi de extrema importância para o SAMU chegar ao local em cinco minutos, os médicos do HRI que conseguiram remover parte do alimento que bloqueava a entrada de ar dos pulmões e estabilizar o paciente, a disponibilidade do médico Paulo de Tarso que cedeu a ambulância do Hospital São Camilo para fazer o transporte da vítima até o Hospital São Vicente, aonde ele ficou internado na UTI.
A recuperação do aposentado surpreendeu a todos. A esposa Terezinha disse que um dos momentos mais felizes foi na manhã do domingo, 9, quando o Hospital São Vicente informou que o paciente estava respirando sem ajuda de aparelhos, consciente e sem nenhuma sequela.
Na quinta-feira, 20, pela primeira vez aconteceu o encontro entre o aposentado Mendes e o subtenente Viana após a ocorrência do engasgamento. O encontro aconteceu na residência de Francisco de Assis Mendes, na Rua Francisco Adolfo. Foram momentos de fortes emoções. “Estou muito feliz de ver o senhor assim, em plena recuperação”, disse. Mendes pôde agradecer pessoalmente ao militar o gesto dele em perceber sua situação de saúde em que ele se encontrava e se oferecer para ajudar. “O senhor salvou minha vida, sou muito grato, me falta palavras para agradecer”, ressaltou.
Viana compareceu acompanhado do subtenente Veríssimo e outros cinco integrantes do COTAR-Comando Tático Rural grupo ligado ao BEPI-Batalhão de Policiamento Especializado do Interior, em duas viaturas da corporação.
Com informações do Jornal A Praça.